A P28 apresentou o OUTDOOR 2026, levando a arte contemporânea para as ruas de sete cidades portuguesas.
A P28 – Associação para o Desenvolvimento Criativo e Artístico deu início a uma nova edição do projeto OUTDOOR, uma iniciativa que converte suportes publicitários de grande formato em plataformas de exposição para a arte contemporânea. Até 31 de outubro, sete cidades portuguesas – Lisboa, Setúbal, Évora, Faro, Coimbra, Viseu e Viana do Castelo – acolhem este circuito expositivo descentralizado, que utiliza painéis de 8×3 metros para apresentar obras de sete criadores diferentes.
A proposta central deste projeto, fundado em 2012, reside na descontextualização da prática artística, retirando-a das galerias e museus para a integrar diretamente no fluxo do quotidiano urbano. Ao ocupar estruturas habitualmente destinadas à comunicação comercial, a P28 procura transformar a perceção do espaço público, oferecendo aos cidadãos um acesso gratuito e contínuo a manifestações visuais que desafiam as lógicas de consumo imediato. Nesta edição, os artistas convidados são Carla Cabanas, Félix Mula, Inês Botelho, Joana Ramalho, José Pedro Croft, Martinha Maia e Rodrigo Bettencourt, todos com propostas desenvolvidas especificamente para as dimensões e os contextos de visibilidade destes suportes exteriores.
A dinâmica da mostra assenta num regime de rotatividade mensal. As obras circulam entre as sete localidades mencionadas, assegurando que o público de cada região tenha contacto com a totalidade das peças ao longo dos sete meses de duração do evento. Segundo a organização, esta estratégia visa criar novos hábitos de atenção e relação com a imagem, aproveitando as condições específicas da visão urbana, muitas vezes marcada pela velocidade e pela distância. O projeto reforça assim a sua identidade como uma plataforma de difusão artística expandida, mantendo um historial que já incluiu nomes como Jorge Molder, Pedro Cabrita Reis ou Jeff Koons.

Em Viana do Castelo, a Estrada do Cabedelo recebe o trabalho de Carla Cabanas. Natural de Lisboa e formada em Artes Visuais, a artista foca a sua investigação nas fronteiras da fotografia e na memória coletiva. Já em Viseu, o ponto de exposição localiza-se na Avenida da Europa, junto à Fonte Cibernética, apresentando a obra de Félix Mula. O artista moçambicano, vencedor do prémio Novo Banco Photo em 2016, utiliza a fotografia e o vídeo para articular vivências pessoais com a prática artística formal.
A cidade de Coimbra acolhe a participação de Joana Ramalho no Mercado Municipal Dom Pedro V. Com um percurso ligado à pintura e ao desenho, a criadora tem explorado a interseção entre a imagem e a caligrafia. Na capital, o OUTDOOR ocupa o Largo Marquês de Angeja, em Belém, com uma peça de Martinha Maia. Natural de São Mamede do Coronado, a artista desenvolve o seu trabalho nas áreas do desenho e da instalação, com um currículo de exposições nacionais e internacionais.
Em Setúbal, o painel situado no cruzamento da Rua da Cevedeira com a Avenida da Bela Vista exibe a proposta de José Pedro Croft. Figura de relevo no panorama artístico desde a década de 1980, Croft representou Portugal na Bienal de Veneza em 2017 e possui obra integrada em diversas coleções de prestígio mundial. Por sua vez, Évora recebe na Avenida Túlio Espanca o contributo de Rodrigo Bettencourt, cujas criações fotográficas frequentemente analisam contextos institucionais e museológicos. Finalmente, em Faro, a Avenida Calouste Gulbenkian serve de cenário à obra de Inês Botelho, artista formada em Lisboa e Nova Iorque que mantém uma presença regular no circuito das artes plásticas e em coleções institucionais.
