O INEM introduziu cinco níveis de prioridade nas chamadas do 112, com tempos de resposta definidos e avaliação clínica durante o atendimento.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) implementou um novo sistema de priorização nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), com o objetivo de acelerar a resposta e adaptá-la de forma mais precisa à gravidade das situações.
O modelo introduz cinco níveis de prioridade, semelhantes aos utilizados nos hospitais, definidos a partir de uma avaliação clínica realizada pelos profissionais do CODU durante a chamada para o Número Europeu de Emergência, o 112. Cada nível de prioridade terá um tempo de resposta específico, permitindo uma coordenação mais rigorosa dos meios de socorro.
No final do atendimento telefónico, quem liga será informado da prioridade atribuída, do tempo estimado de chegada da ajuda e do encaminhamento definido. Esta medida visa aumentar a transparência e ajustar as expectativas de quem recorre ao 112. Caso se verifiquem alterações nos sinais inicialmente relatados ou surjam novos sintomas, os cidadãos são incentivados a contactar novamente o 112.
Porém, e se na teoria parece sempre tudo maravilhoso, na prática pode sempre falhar. Esta semana, um homem de 78 anos morreu na terça-feira no Seixal após esperar quase três horas pelo socorro do INEM, numa ocorrência que levantou críticas ao novo sistema de triagem de chamadas de emergência implementado no início do ano. Segundo o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), a classificação da situação como prioridade três, que prevê a chegada de meios em até 60 minutos, poderá ter influenciado o desfecho fatal. A análise da linha temporal da ocorrência mostra que o primeiro contacto da vítima com o INEM ocorreu às 11h20, após uma queda em casa, registando-se agitação, confusão e prostração. Apenas às 14h09 a viatura médica de Almada foi enviada, quando a vítima já se encontrava em paragem cardiorrespiratória.
Durante a manhã, a Cruz Vermelha do Seixal informou não ter ambulâncias disponíveis e as unidades de Almada e Seixal encontravam-se ocupadas. Registaram-se ainda chamadas adicionais às 13h29 e 14h05 a questionar a demora, antes de o socorro finalmente chegar. O STEPH admitiu que, sem o novo sistema de triagem, o pedido de ambulância poderia ter sido acionado mais rapidamente, reforçando críticas sobre os tempos de espera definidos por prioridade, mesmo quando existem meios disponíveis.
No entanto, o presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, negou qualquer relação entre o atraso e o novo modelo de triagem, afirmando que a prioridade atribuída ao caso teria sido a mesma antes da implementação do sistema. Segundo o responsável, a triagem foi realizada corretamente e o pedido de ativação de uma ambulância foi feito 15 minutos após a criação da ocorrência, atribuindo o atraso à retenção de ambulâncias nos hospitais da Margem Sul do Tejo. Cabral destacou que, apesar do aumento do número de chamadas diárias – de uma média de 4.500 para 5.500 desde o período festivo – os meios disponíveis foram reforçados, incluindo seis ambulâncias adicionais para a Margem Sul, mas alertou que os recursos são limitados e não podem ficar retidos nos hospitais à espera da devolução das macas.
De resto, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um inquérito para avaliar a qualidade do serviço prestado, incluindo a prontidão do INEM no socorro à vítima. Já o instituto iniciou uma auditoria interna para esclarecer quantas ambulâncias foram tentadas acionar e por que motivos não estavam disponíveis. Apesar das críticas e das denúncias registadas pelo sindicato desde o início do novo modelo de triagem, o presidente do INEM manteve que o sistema está a funcionar conforme previsto e que não houve falhas na definição de prioridades ou no acionamento de meios. O STEPH, por seu lado, reforçou que a situação evidencia o risco de manter doentes à espera quando os tempos previstos pela triagem não correspondem à realidade operacional, gerando atrasos que, em casos graves, podem ser fatais.
