A primeira fase do Metrobus do Porto liga a Casa da Música à Praça do Império, com viagens gratuitas durante o mês de março.
O novo serviço de metrobus do Porto entra oficialmente em funcionamento no próximo sábado, dia 28 de fevereiro. Este sistema de autocarros movidos a hidrogénio arranca com um período de familiarização e ajuste progressivo, delineado pela Metro do Porto para consolidar horários, frequências, sinalética semafórica e procedimentos de segurança em contexto real. Durante o primeiro mês de atividade, coincidente com março, os passageiros poderão utilizar a infraestrutura de forma totalmente gratuita.
A primeira fase do Metrobus do Porto estabelece a ligação direta entre a Casa da Música e a Praça do Império, num percurso com uma duração exata de 12 minutos que contempla sete paragens estratégicas na Avenida da Boavista: Casa da Música, Guerra Junqueiro, Bessa, Pinheiro Manso, Serralves, João de Barros e Império. Para assegurar a eficiência do canal e evitar atrasos na cadência dos autocarros, a inversão de marcha será efetuada na Rotunda da Boavista, abandonando-se a hipótese inicial de realizar a manobra no topo da avenida. O presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, garantiu que a operação está desenhada para que, no exato momento em que um veículo atinge a estação da Casa da Música, exista já outro posicionado do lado oposto para dar continuidade ao serviço.
O canal dedicado a esta primeira fase encontra-se concluído desde setembro de 2024. O hiato temporal até à inauguração em fevereiro deveu-se a uma conjugação de fatores logísticos, burocráticos e políticos, visto que a frota de veículos iniciou a sua chegada apenas no segundo semestre de 2025 e a indispensável licença do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) foi emitida em novembro do mesmo ano. A validação do modelo operacional exigiu também um memorando de entendimento, assinado em dezembro, entre a Câmara Municipal do Porto, a STCP e a Metro do Porto. A logística de abastecimento constituiu o derradeiro obstáculo, tendo a Metro do Porto obtido garantias de fornecimento de hidrogénio apenas a partir de meados de fevereiro. Até à conclusão definitiva da estação de produção de hidrogénio na Areosa, cuja estimativa aponta para o mês de julho, a frota será abastecida nas instalações localizadas em São Roque da Lameira.
A segunda fase da empreitada do Metrobus do Porto, que prolongará o serviço até à Praça da Cidade do Salvador (conhecida como Anémona), tem o seu término agendado para agosto e um tempo total de viagem estipulado em 17 minutos. As obras deste troço específico, alvo de suspensão em outubro pela nova administração, foram retomadas a 3 de novembro na Avenida da Boavista, no segmento compreendido entre o Colégio do Rosário e a Fonte da Moura (Antunes Guimarães). O modelo urbanístico desta segunda etapa difere substancialmente da primeira. O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, sublinhou que a intervenção manterá o separador central junto ao Parque da Cidade, admitindo inclusive o seu alargamento, com o objetivo de preservar e promover o usufruto comunitário e as áreas verdes num espaço considerado de excelência para as famílias portuenses.
Os autocarros deixarão de circular num canal estritamente dedicado, passando a operação a decorrer em via partilhada com os automóveis ligeiros na Avenida Marechal Gomes da Costa e no troço entre a Rua de Antunes Guimarães e o Castelo do Queijo. A administração da Metro do Porto e a STCP validaram esta solução, considerando que a partilha ocorre num setor viário com menor pressão automóvel, não penalizando a eficiência estrutural do transporte.
Toda a infraestrutura e operação do Metrobus do Porto representam um investimento global de 76 milhões de euros, financiado através de verbas provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), do Fundo Ambiental e do Orçamento do Estado.
