A Lipor avança com a construção de uma unidade em Baguim do Monte para converter 75.000 toneladas anuais de biorresíduos em gás natural a partir de 2027.
A construção da nova Central de Valorização de Biorresíduos (CVB) da Lipor, localizada em Baguim do Monte, Gondomar, tem o seu início previsto para o ano de 2027, diz o Jornal de Notícias (acesso pago).
O projeto, concebido para tratar anualmente cerca de 65.000 toneladas de resíduos alimentares e 10.000 toneladas de resíduos verdes, transformará a matéria orgânica em biometano. Este gás, resultante do biogás produzido através da degradação por microrganismos, será posteriormente injetado na rede nacional de gás natural. A empreitada decorrerá numa área adjacente ao atual polo I da Lipor, na fronteira com Ermesinde, concelho de Valongo, e deverá estar concluída num prazo de três anos.
A futura unidade de tratamento da Lipor funcionará ininterruptamente todos os dias do ano, perspetivando-se a criação de 33 postos de trabalho diretos, distribuídos entre funções administrativas, chefias de turno, técnicos de laboratório e operadores. Em termos logísticos, a operação da central implicará a circulação diária de 88 camiões, dos quais 72 serão exclusivamente destinados ao transporte de restos de comida, juntamente com o tráfego de 27 veículos ligeiros pertencentes aos funcionários. A infraestrutura ocupará uma área útil de 6,3 hectares, inserida num terreno de 7,3 hectares, totalizando 16.178 metros quadrados de área de construção. O complexo incluirá vários edifícios, atingindo uma altura máxima de 16 metros, e estará equipado com três chaminés distintas: uma de 32 metros para o tratamento do ar, uma de 10 metros associada à caldeira de água quente e uma de sete metros para a queima de biogás.
Encontrando-se em fase de estudo prévio, o projeto tem a sua avaliação de impacto ambiental em discussão pública até ao dia 3 de março. O relatório preliminar não identifica impactos significativos no ruído ou na qualidade do ar, mas recomenda a concretização de estudos complementares. Os principais efeitos negativos apontados envolvem a transformação de terrenos com atual aptidão agrícola e florestal, a afetação de um habitat protegido de salgueiral e a alteração da paisagem local. Adicionalmente, o avanço da obra exigirá a demolição de um antigo moinho, existindo a possibilidade da sua deslocalização. Como medidas de mitigação, o documento sugere a elaboração de um mapa de ruído, uma prospeção arqueológica sistemática, o estudo da dispersão de odores e o dimensionamento das chaminés, bem como uma análise hidrológica focada no contributo da infraestrutura para o caudal pluvial do ribeiro do Caneiro.
A concretização da CVB exige a ocupação de 15 propriedades. A Lipor é já detentora de sete destas parcelas, prevendo-se que os restantes terrenos, caso não exista acordo negocial, sejam alvo de expropriação mediante uma declaração de utilidade pública a emitir pela Câmara Municipal de Gondomar. Após a conclusão da atual avaliação ambiental, será elaborado o projeto de execução, que ditará o respetivo relatório de conformidade ambiental, a ser submetido a uma nova consulta pública para verificação do cumprimento das condicionantes. A par da construção da infraestrutura principal, a intervenção global abrange quatro projetos complementares, destacando-se a requalificação da Rua da Morena e a referida valorização do ribeiro do Caneiro.
