Miles Kane no Hard Club: Os volts do garage rock andaram à solta no Porto

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O revivalismo dos anos 90 no Hard Club presenteado por Miles Kane com um concerto de puro garage rock, muito ao seu estilo.

Nesta noite de inverno, cheia de chuva e vento, o britânico Miles Kane aqueceu e incendiou o Hard Club, no Porto, cheio de garra e intensidade, com a preciosa ajuda do público portuense e alguns estrangeiros presentes na sala.

Durante todo o espetáculo houve uma “Telephaty” perfeita entre o passado e o presente do artista. Aliás, ao longo da sua carreira nunca abandonou o garage rock, meio polido e direto que o caracteriza na perfeição.

Parco em palavras, “Rearrange”, na abertura seguida de “Troubled Son”, foram as pontes inteligentes para recordar que 2011 (data do primeiro álbum Colour Of The Trap) não foi assim há tanto tempo e que as mudanças no seu percurso não foram assim tão grandes. O rock está mais limado, mas continua muito característico do cenário indie.

Porque o cenário era propício a isso, “Inhaler” e “Telephaty” foram dignos e os sons característicos da guitarra elétrica estiveram lá com o bom e velhinho som garage rock mais sujo e direto do primeiro disco, tendo sido canções produzidas e escritas em conjunto com Alex Turner, a outra metade dos The Last Shadow Puppets.

Do novo disco Sunlight in the Shadows, “Blue Skies” e “I Pray” fizeram uma sequência de refrões orelhudos, muito mais trabalhadas e cuidadas, mas sempre em alta rotação.

Talvez o momento mais introspetivo da noite tenha sido com “Colour Of The Trap”, música que explora a tensão entre o desejo de ligação e a frustração que um relacionamento nos provoca por falta de compreensão e comunicação entre as duas partes. Esta música tem como influência o rock britânico dos anos 60 com base na armadilha que o nosso corpo e mente nos prende, apesar das várias camadas existentes sem nunca desaparecer verdadeiramente.

A inevitável “Coup de Grace” não faltou para lembrar a inspiração de um golpe de wrestling do lutador Finn Bálor (e que aparece no videoclipe de “Cry On My Guitar”), como se se tratasse de uma metáfora para o fim do sofrimento num relacionamento, assim como a estreia mundial ao vivo de “Sing a Song to Love”.

“Don’t Forget Who You Are” materializou a simbiose perfeita entre artista e público, com a plateia a entoar refrões inteiros, suportada pela banda ou apenas pela bateria. Este momento afirmou-se como um autêntico hino à identidade: uma prova de que não nos devemos deixar abalar por inseguranças antigas, mas sim enfrentar as pressões do presente com coragem.

A fechar, um habitué “Come Closer”, o single característico da obra musical de Miles Kane, uma expressão intensa e emocional do desejo e da frustração, sendo a canção que simboliza a ansiedade por uma ligação mais profunda com alguém que parece estar distante, fisicamente e emocionalmente. A repetição constante da frase “You’re a million miles, a million miles away” insiste na sensação de distância e na dificuldade de alcançarmos a pessoa amada.

Conhecido pelo seu indie garage rock, Miles Kane trouxe uma alta voltagem britânica ao Hard Club, desfilando canções poderosas de refrões marcantes. A sua sonoridade serviu de combustível perfeito para uma sala esgotada e a vibrar de intensidade.

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