Os mais recentes cortes na Meta voltam a afetar a Reality Labs e surgem após a empresa ter aprovado compensações de até 921 milhões de dólares para seis altos executivos.
A Meta despediu mais cerca de 700 funcionários no passado dia 25 de março, de acordo com o The New York Times, uma porção pequena dentro do universo de 78 mil trabalhadores, mas que afetam diretamente a divisão Reality Labs, bem como áreas de recrutamento, vendas, operações e o Facebook. De acordo com o Bloomberg, os cortes afetam colaboradores nos Estados Unidos e noutros mercados, tendo a maioria sido notificada no próprio dia.
O timing contrasta com um novo programa de ações para seis altos executivos, anunciado menos de 24 horas antes, que poderá aumentar a compensação de cada um em até 921 milhões de dólares ao longo dos próximos cinco anos. A Meta justificou a iniciativa como uma forma de reter talento numa era marcada pela inteligência artificial. Adicionalmente, a empresa enfrenta ainda pressão judicial depois de um júri em Los Angeles a ter considerado responsável por danos causados a uma jovem utilizadora através de funcionalidades alegadamente viciantes do Instagram.
Ao The New York Times, um representante da Meta afirmou que as equipas procedem regularmente a reestruturações para garantir que estão na melhor posição para atingir os seus objetivos, acrescentando que a empresa procura encontrar novas funções para os trabalhadores afetados sempre que possível.
Esta não é a primeira vez que a Reality Labs, divisão com cerca de 15 mil funcionários dedicada à realidade virtual e ao metaverso, é alvo de cortes, tendo a Meta reduzido 10% da sua força de trabalho nessa área no início do ano, o que resultou no encerramento dos estúdios Twisted Pixel Games, Sanzaru Games e Armature Studio.
Esta divisão registou receitas de 2,2 mil milhões de dólares no ano passado, mas acumulou perdas de 19,2 mil milhões, ainda que Chris Pruett, diretor de jogos da Meta, tenha revelado durante o GDC Festival of Gaming que a utilização da Meta Quest atingiu um máximo histórico em 2025, com mais de 100 títulos a gerar receitas brutas superiores a um milhão de dólares cada.
