Mercadona cresce 18% em Portugal e lucra 26 milhões no segundo ano consecutivo de resultados positivos

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Em Portugal, o investimento previsto pela Mercadona para 2026 é de 150 milhões de euros.

A Mercadona registou em 2025 vendas consolidadas de 41.858 milhões de euros, um crescimento de 8% face ao ano anterior, e um lucro líquido de 1.729 milhões de euros, mais 25% do que em 2024. Estes são os principais números do balanço anual da cadeia de supermercados espanhola, que opera em Portugal através da sociedade Irmãdona Supermercados, com sede em Vila Nova de Gaia.

Do total da faturação consolidada, 39.766 milhões de euros dizem respeito ao negócio em Espanha, onde a empresa detém uma quota de mercado de 28,5%, um aumento de 0,6%. Os restantes 2.092 milhões correspondem à operação portuguesa, que cresceu 18% em relação ao exercício anterior. A rede é composta por 1.672 supermercados no total, dos quais 69 estão localizados em Portugal.

A margem de lucro líquido situou-se nos 4,5% sobre a faturação líquida, o melhor resultado de rentabilidade da história da empresa. Para este desempenho contribuíram um aumento de 4% na produtividade, uma melhoria de 16% na gestão de pedidos das lojas e um ganho de 4% na eficiência energética. Do lucro apurado, 80% – equivalente a 1.383 milhões de euros – foi reinvestido na empresa, enquanto os restantes 20%, ou seja, 346 milhões de euros, foram distribuídos aos acionistas sob a forma de dividendos. A estes resultados acrescem ainda 172 milhões de euros provenientes da gestão de tesouraria.

Desde a abertura da primeira loja em Portugal, em 2019, a Mercadona acumulou um investimento superior a 1.230 milhões de euros no país. Só em 2025, esse investimento totalizou 140 milhões de euros. O resultado líquido da operação portuguesa ascendeu a 26 milhões de euros, o segundo ano consecutivo em que a empresa regista lucros em Portugal.

Em termos fiscais, a Irmãdona Supermercados entregou ao Estado português 273 milhões de euros em impostos durante o ano, elevando o total acumulado desde 2019 para 879 milhões de euros. A empresa trabalha atualmente com cerca de 1.000 fornecedores nacionais, aos quais adquiriu bens no valor de 1.500 milhões de euros ao longo de 2025. A quota de mercado em Portugal subiu 0,8 pontos percentuais, para 8,8%.

A Mercadona encerrou 2025 com 115.000 trabalhadores entre os dois países, depois de ter criado 5.000 novos postos de trabalho, 500 dos quais em Portugal, onde a força de trabalho totalizou 7.500 pessoas, todas com contrato sem termo desde o primeiro dia de trabalho.

No conjunto do grupo, a empresa afirma ter partilhado mais de 1.000 milhões de euros com os seus colaboradores, através de um conjunto de medidas que incluem o aumento salarial indexado ao Índice de Preços no Consumidor, a atribuição de uma semana adicional de férias e a distribuição de prémios variáveis por objetivos, que totalizaram 780 milhões de euros, dos quais 25 milhões em Portugal. Na prática, os trabalhadores com menos de quatro anos de antiguidade receberam o equivalente a dois salários mensais a título de prémio, enquanto os que superam esse patamar receberam três salários mensais. Neste último caso, o montante recebido em fevereiro, incluindo o salário mensal, foi de 7.000€ brutos.

Nos próximos anos, a Mercadona prevê investir 3.700 milhões de euros na transformação gradual da sua rede no chamado modelo Loja 9. A principal diferença face ao modelo atual reside na organização por processos em vez de por áreas de negócio, com maior destaque para os produtos frescos e uma experiência de compra concebida para ser mais rápida e intuitiva.

Uma das inovações centrais deste modelo é a criação de uma zona denominada Cozinha Central, que unifica os processos de corte, cozedura e embalagem, até agora dispersos. Esta centralização traduz-se, segundo a empresa, numa redução estimada de 10% no consumo de energia e de 40% no consumo de água. O modelo prevê também uma atualização técnica das salas de máquinas dos supermercados.

Já os fornecedores e interfornecedores da Mercadona aumentaram os seus investimentos em 31%, para um total de 1.700 milhões de euros. Estes investimentos materializaram-se na construção de novas unidades fabris, na modernização e ampliação das existentes e na especialização de explorações agrícolas e pecuárias. No conjunto, este cluster industrial gerou mais de 5.200 novos postos de trabalho em 2025.

Para o exercício em curso, a Mercadona prevê um investimento superior a 1.000 milhões de euros a nível consolidado, destinado à continuação da conversão da rede para o modelo Loja 9, à expansão e remodelação dos blocos logísticos e ao reforço da inovação tecnológica. Neste último domínio, a empresa planeia abrir novas Colmeias – armazéns automatizados que suportam o serviço de venda online em Espanha – e implementar novas ferramentas informáticas transversais à operação.

As projeções apontam para um crescimento das vendas de 3,5%, para um total de 43.200 milhões de euros, e para a manutenção de um lucro líquido semelhante ao de 2025. A empresa prevê ainda criar mais de 1.000 novos postos de trabalho. Em Portugal, o investimento previsto para 2026 é de 150 milhões de euros.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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