O Rubens Menin Very Very Old Tawny preserva a memória do Douro antigo num vinho raro e profundamente histórico. O preço, esse, é de luxo.
A Menin Douro Estates apresentou recentemente o Rubens Menin – Porto Very Very Old Tawny, um vinho do Porto de raridade excecional cuja origem remonta a vinhas plantadas em meados do século XIX. Trata-se de um vinho que atravessou diversas gerações e reflete mais de 150 anos de história vitivinícola do Douro.
Produzido a partir de vinhas muito antigas, estabelecidas antes da chegada da filoxera ao território europeu, o vinho resulta de cepas em pé-franco onde coexistiam castas hoje pouco comuns, como malvasia preta, donzelinho tinto, cornifesto e casculho. Estas vinhas cresceram num Douro anterior às grandes transformações técnicas e estruturais que moldariam, mais tarde, a viticultura moderna da região.
Ao longo das décadas, os diferentes componentes deste Porto envelheceram em madeira de castanho, seguindo a tradição do Douro do século XIX, e posteriormente em casco, sob tutela de pequenos viticultores que preservaram o vinho com o cuidado e o tempo necessários a este tipo de envelhecimento prolongado. O resultado desse processo é um conjunto de lotes que funcionam como testemunhos vivos de uma época e de uma forma de produzir vinho há muito desaparecida.
A Menin Douro Estates reuniu e preservou estes lotes ao longo dos anos, num processo descrito pelos seus responsáveis como quase arqueológico. A seleção, identificação e integração dos componentes foi conduzida pela equipa de enologia da casa, com o objetivo de alcançar um equilíbrio final que traduzisse a herança acumulada do Douro. O resultado é um vinho de grande complexidade e profundidade, concebido para ser apreciado lentamente e em contexto de plena contemplação.
O nome Rubens Menin – Porto Very Very Old Tawny surge como homenagem ao fundador da empresa, simbolizando a filosofia que tem orientado o projeto desde a sua origem: valorizar o património histórico do Douro e salvaguardar vinhos raros que testemunham a identidade da região.
Do ponto de vista visual, o vinho apresenta uma cor âmbar escura com reflexos esverdeados, indicativos do seu longo envelhecimento. No plano aromático, revela uma gama invulgarmente extensa de notas, que evoluem entre o mel de urze, resina e folhas secas, toques salinos e iodados, e nuances mais exóticas como erva-doce, cardamomo e açafrão.
O enólogo Tiago Alves de Sousa destacou a dimensão emocional e técnica deste trabalho, classificando-o como “um exercício de ourivesaria” que exige respeito e precisão perante um vinho que atravessou tantas décadas. Já Fásia Braga, diretora-geral da Menin Douro Estates, descreveu o processo como “uma procura e preservação de fragmentos de história” associados ao património vínico do Douro.
Foram engarrafadas 200 unidades de 50 centilitros, cada uma com um preço de venda ao público de 10.000€.
