O novo livro de Mia Ballard foi suspenso no Reino Unido e não chega aos EUA. Já a autora defende-se e diz que a culpa é do revisor da obra.
A editora norte-americana Hachette Book Group retirou de circulação o livro Shy Girl no Reino Unido e cancelou o lançamento nos Estados Unidos da America depois de surgirem suspeitas de que o texto foi alegadamente gerado com recurso a inteligência artificial. O caso ganhou dimensão após o jornal The New York Times apresentar provas à editora.
A Hachette tomou a decisão após uma análise interna ao livro, que tinha sido originalmente publicado de forma independente por Mia Ballard em fevereiro de 2025 e mais tarde editado pela própria no mercado britânico. No Reino Unido, onde vendeu cerca de 1.800 cópias, o título tornou-se entretanto difícil de encontrar depois de ser removido da Amazon e do site oficial da editora.
Em declarações ao The New York Times, a editora confirmou que o lançamento nos Estados Unidos, previsto para o próximo mês, foi cancelado na sequência de “uma análise minuciosa e extensa do texto“. A decisão incluiu também a retirada imediata do livro de todos os canais de venda no mercado britânico.
A autora Mia Ballard já rejeitou as acusações e aponta responsabilidades a um terceiro envolvido na edição da versão auto-publicada. A autora afirma que contratou um conhecido para esse trabalho e sustenta que a polémica afetou a sua reputação, dizendo que o seu nome ficou associado a algo que garante não ter feito. Ainda assim, recusa revelar detalhes sobre o eventual uso de ferramentas de inteligência artificial, referindo que está envolvida num processo judicial.
Shy Girl acompanha Gia, uma jovem em dificuldades financeiras que aceita a proposta de um homem rico que conhece online, acabando por ser mantida em cativeiro. O livro reuniu milhares de avaliações positivas em plataformas como o Goodreads, embora tenham surgido críticas negativas após o início da polémica.
O caso surge numa altura em que cresce a tensão entre o setor editorial e a utilização de inteligência artificial. Por exemplo, recentemente na London Book Fair 2026, um grupo de cerca de 10.000 escritores subscreveu uma iniciativa contra o uso não autorizado das suas obras para treinar sistemas deste tipo.
