Governo conclui obras da linha Évora–Caia, preparada para alta velocidade, com circulação de comboios prevista para o final de 2026 ou início de 2027.
A ligação ferroviária entre Évora e a fronteira com Espanha, passando por Elvas e Caia, está pronta, com a via e a catenária concluídas e a subestação elétrica já em funcionamento.
Apesar de a obra estar finalizada, os comboios de mercadorias e passageiros só deverão começar a circular no final de 2026 ou no início de 2027, uma vez que ainda é necessário concluir a sinalização e assegurar a certificação de segurança. O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, descreveu o momento como histórico, destacando que esta é a primeira linha em Portugal preparada para atingir velocidades de até 250 km/h e que vai encurtar em cerca de 140 quilómetros o percurso entre o porto de Sines e a fronteira espanhola.
O projeto, que fez parte do programa Ferrovia 2020, envolveu um investimento de quase 460 milhões de euros e incluiu a construção de dezenas de viadutos e pontes, centenas de milhares de metros cúbicos de betão, milhares de toneladas de aço, a movimentação de milhões de metros cúbicos de terra e a expropriação de centenas de hectares. A nova linha foi concebida para transportar mercadorias, com prioridade para a ligação ao porto de Sines, mas também permitirá, no futuro, serviços de passageiros de alta velocidade, dependendo da evolução do restante corredor ferroviário e das decisões dos operadores.
Apesar de estar preparada para altas velocidades, a utilização efetiva dependerá da rede existente e do material circulante, já que alguns troços e o acesso a Lisboa ainda limitam a rapidez dos comboios. A linha foi construída em bitola ibérica, como do lado espanhol, mas está previsto um acordo para futura migração para a bitola europeia, quando Portugal e Espanha estiverem prontos para essa transição.
Para além da dimensão técnica, a linha representa um salto estratégico na ligação de Portugal ao resto da Europa. O objetivo é chegar a Madrid em três horas até 2034, embora já seja possível, entre 2028 e 2030, reduzir o percurso para cerca de cinco horas e meia.
Nota: imagem meramente ilustrativa
