A TDF reforça que a complexidade do formato e o comportamento do Office dificultam a concorrência.
A discussão em torno da compatibilidade entre suites de produtividade ganhou novo fôlego após críticas contundentes da The Document Foundation (TDF), responsável pelo LibreOffice. Embora o pacote livre seja amplamente compatível com os formatos da Microsoft, persistem problemas de formatação e layout que afastam muitos utilizadores. Para a TDF, isso não é um acidente técnico, mas consequência direta das escolhas da Microsoft.
Num texto recente, Italo Vignoli, membro fundador da TDF, acusou a empresa de ignorar padrões abertos em prol dos seus próprios interesses comerciais. Para ele, é ultrajante considerar o Office Open XML (OOXML) um verdadeiro padrão, argumentando que a sua complexidade, com cerca de 7.000 páginas de especificação, torna praticamente impossível uma implementação completa por terceiros. Vignoli recorda ainda que o Office nem sequer segue a variante Estrita do OOXML, preferindo a versão Transitional, repleta de dependências de formatos antigos. Elementos como autoSpaceLikeWord95 ou shapeLayoutLikeWW8 exigem que outros programas imitem comportamentos de versões obsoletas do Word, o que, na prática, perpetua a dependência do ecossistema Microsoft. A especificação também continua a recomendar meta ficheiros proprietários para gráficos, em vez de formatos abertos como SVG.
O debate reacendeu‑se com exemplos históricos, como o problema do Excel ao converter automaticamente símbolos de genes em datas, um erro que afetou estudos científicos e levou à renomeação de dezenas de genes antes de a Microsoft disponibilizar, apenas em 2023, uma opção para desativar essa conversão. Para a TDF, tudo isto demonstra que o OOXML está longe de ser verdadeiramente aberto. A organização defende que apenas um compromisso real com padrões interoperáveis poderá garantir concorrência justa e evitar que utilizadores e investigadores continuem a enfrentar limitações impostas por formatos proprietários.
