Autarquia alerta para impactos de elevada magnitude na paisagem, economia local e identidade da freguesia.
A Junta de Freguesia de Leça da Palmeira tornou pública a sua posição oficial sobre o projeto de Ampliação e Reorganização do Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões, atualmente em consulta pública no âmbito do Plano Estratégico 2025‑2035. Apesar de reconhecer a relevância económica do porto para a região e para o país, a autarquia considera que a proposta apresentada acarreta impactos negativos demasiado significativos para a população e para o território.
O parecer, já submetido no portal participa.pt, é claramente desfavorável e baseia‑se em oito pontos que, segundo a Junta, demonstram a desproporção entre os benefícios esperados e os prejuízos potenciais. Entre as principais preocupações está a eliminação total da Marina Porto Atlântico, cuja área será absorvida pelo novo terrapleno do terminal. A Junta de Leça da Palmeira sublinha que não existe qualquer plano de relocalização definido ou financiado, e que alternativas como o Molhe Sul implicariam perda de capacidade e de centralidade náutica. A autarquia alerta também para o impacto económico que a remoção da marina terá no comércio e na restauração locais, uma vez que esta estrutura gera diariamente fluxos turísticos e desportivos que sustentam vários negócios da zona.
O parecer destaca ainda impactes visuais e paisagísticos muito significativos, reconhecidos no próprio Estudo de Impacte Ambiental, devido à volumetria dos novos pórticos e contentores, que serão visíveis da marginal, das praias e de ícones arquitetónicos como as Piscinas das Marés e a Casa de Chá da Boa Nova. Outro ponto crítico é o agravamento da mobilidade, com projeções que apontam para até 800.000 camiões por ano em 2040. A Junta de Leça da Palmeira considera que não existem soluções estruturantes previstas para mitigar esta pressão adicional sobre a A28 e as vias urbanas.
A freguesia manifesta igualmente preocupação com os riscos ambientais associados às dragagens, que podem ressuspender sedimentos contaminados, e lamenta a ausência de um programa de descontaminação do estuário do rio Leça. O parecer refere ainda ameaças ao património histórico, nomeadamente ao Forte de Nossa Senhora das Neves e ao “Titã”, que poderão ser afetados por vibrações e alterações do solo.
Por fim, a Junta de Leça da Palmeira considera que o projeto compromete o equilíbrio porto–cidade, quebrando uma convivência centenária entre a atividade portuária e a vivência urbana e marítima de Leça da Palmeira. A autarquia reafirma que não se opõe ao desenvolvimento portuário, mas defende que este deve ser sustentável, equilibrado e respeitador da comunidade e do território.
