Com 742 camas e oncologia integrada, o novo Hospital Central do Algarve visa acabar com as transferências de doentes para Lisboa e Espanha.
A Administração Central do Sistema de Saúde lançou o concurso público internacional para a Parceria Público-Privada que dará corpo ao novo Hospital Central do Algarve, um projeto orçado em 426,7 milhões de euros e que visa colmatar carências identificadas como prioritárias desde 2006.
O contrato agora colocado a concurso terá uma vigência de 30 anos, divididos em duas fases distintas: os primeiros três anos serão dedicados à construção da infraestrutura, enquanto os restantes 27 anos focam-se na conservação, manutenção e exploração do complexo. Se os prazos forem cumpridos, a adjudicação deverá ocorrer até ao final de 2027, com as máquinas a avançarem para o terreno no primeiro trimestre de 2028. O objetivo traçado é claro: ter o hospital de portas abertas em janeiro de 2031.
Localizado no Parque das Cidades, entre Faro e Loulé, o futuro complexo hospitalar surge como uma resposta direta à saturação das unidades de Faro e Portimão, prometendo travar a necessidade frequente de transferir doentes para Lisboa ou até para Espanha. A infraestrutura foi dimensionada para acompanhar não só o crescimento demográfico da região, mas também a habitual pressão turística sazonal, apostando numa modernização que se reflete tanto na capacidade de internamento como no equipamento tecnológico.
No que toca à capacidade instalada, o Hospital Central do Algarve contempla um total de 742 camas de internamento. Deste total, a grande fatia vai para o internamento convencional, com 619 camas, mas há também um reforço nas áreas da saúde mental, com 36 camas para psiquiatria geral e 10 destinadas à psiquiatria da infância e adolescência. A estrutura prevê ainda 77 camas para internamentos especiais, 15 para cuidados paliativos e uma aposta na hospitalização domiciliária com 10 camas dedicadas. A oferta assistencial completa-se com 74 gabinetes de consulta externa, 18 salas de bloco operatório, 10 salas de partos e diversas tipologias de hospital de dia.
A vertente tecnológica será um dos pilares do Hospital Central do Algarve, que integrará totalmente a especialidade de oncologia. O caderno de encargos prevê a instalação de três aparelhos de TAC, três de ressonância magnética, três angiógrafos e equipamentos específicos como PET/CT, câmara gama e dois aceleradores lineares, além de braquiterapia. O planeamento do edifício contempla, de raiz, espaços de reserva para a futura incorporação de novas tecnologias, garantindo que a infraestrutura não se torna obsoleta a curto prazo.
Mais do que uma mera obra de betão, a tutela apresenta este investimento como uma medida de eficiência financeira e operacional. A expectativa é que a modernização das instalações permita reduzir os custos operacionais atualmente suportados pela dispersão e antiguidade das infraestruturas do Hospital de Faro, ao mesmo tempo que se privilegia o regime de ambulatório e se aumenta a segurança e qualidade dos cuidados prestados aos utentes algarvios.
