O fim da operação da Hussel em Portugal deve-se a dificuldades financeiras, subida dos preços do cacau e problemas de abastecimento.
A Jerónimo Martins anunciou o encerramento gradual das 18 lojas da Hussel em Portugal, previsto para se concluir até 30 de abril de 2026. A decisão surge após uma análise detalhada e esforços prolongados para manter a operação, que não tiveram sucesso, e afetará cerca de 60 colaboradores, que terão garantida integração noutras empresas do grupo.
Em comunicado, o grupo explica que a situação se agravou em 2024, quando a Hussel GmbH, parceiro alemão na operação, declarou insolvência, interrompendo a parceria que sustentava o negócio em Portugal. Este colapso provocou dificuldades de abastecimento, perda de escala e agravou o impacto de custos já elevados, nomeadamente rendas, tornando a continuidade da rede insustentável.
Para além disso, a pressão sobre o preço do cacau contribuiu decisivamente para a inviabilidade do negócio. Fatores como a redução da produção nos principais países exportadores, condições climatéricas adversas e a crescente regulamentação europeia, incluindo o Regulamento Contra a Desflorestação, aumentaram os custos e limitaram a margem de manobra da cadeia de chocolates e confeitaria.
A história da Hussel em Portugal remonta a 1990, com a abertura da primeira loja no Centro Comercial das Amoreiras, numa parceria entre o grupo português Jerónimo Martins e a alemã Douglas AG. Em 2024, após a falência do parceiro alemão, o Grupo Jerónimo Martins passou a deter a totalidade do capital da empresa. Apesar de um ligeiro crescimento das vendas nos anos anteriores, em 2024 registou-se uma quebra de 1,4%, evidenciando as dificuldades financeiras que se arrastavam há vários anos e que acabaram por tornar insustentável a operação.
