Projeto de 100 milhões de euros quer trazer de volta produção de fibra de carbono ao Barreiro

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Grupo liderado por José Pedro Rodrigues vai investir 100 milhões para reabrir a fábrica da SGL/Fisipe no Barreiro e relançar a produção de fibra de carbono.

Um grupo de investidores nacionais e estrangeiros planeia investir cerca de 100 milhões de euros para reativar a antiga fábrica da SGL/Fisipe no Barreiro, encerrada definitivamente em 2026. De acordo com o Jornal Económico, o projeto, liderado pelo empresário José Pedro Rodrigues, pretende devolver atividade industrial à unidade, focando-se na produção de fibra de carbono e numa operação industrial sustentável capaz de gerar centenas de postos de trabalho.

A antiga fábrica da Fisipe, localizada no Lavradio, foi fundada em setembro de 1973 fruto de uma parceria entre a CUF e a Mitsubishi, tornando-se pioneira na produção de fibras acrílicas em Portugal. Em 2012, o grupo SGL, líder mundial em materiais de fibra de carbono, adquiriu a unidade, mas a operação acabou por perder competitividade ao longo da década seguinte, sobretudo devido à concorrência asiática. Apesar da capacidade instalada para produzir 50.000 toneladas anuais de fibras, a empresa acumulou prejuízos sucessivos.

Em 2018, anunciou o encerramento da produção de fio contínuo e uma reestruturação profunda. Sete anos depois, em 2025, a SGL comunicou o despedimento de 190 trabalhadores, seguido de mais 60 em 2026, encerrando por completo a atividade no concelho do Barreiro.

O novo projeto de reindustrialização do Barreiro é liderado por José Pedro Rodrigues, fundador e diretor executivo da Barreiro Bay Square. A estratégia é clara: relançar a produção de fibra de carbono de alta performance, diversificar mercados e reforçar a presença portuguesa na indústria aeroespacial europeia.

Um dos pontos centrais do plano é a recuperação ambiental da antiga unidade industrial. Um relatório técnico com cerca de 400 páginas identificou quatro zonas contaminadas no solo. A descontaminação será a primeira fase do projeto, seguida pela substituição das estruturas obsoletas e pela implementação de novas tecnologias de fabrico. Está também prevista a instalação de painéis fotovoltaicos e a reativação da antiga central de biomassa, iniciativas integradas no plano municipal de requalificação da frente ribeirinha. “Queremos deixar de ter indústrias contaminadas e passar a ter uma indústria limpa e eficiente”, sublinha o empresário.

A área total do complexo industrial é de cerca de 200.000 m2, dimensão que permite à nova operação combinar produção com experimentação tecnológica e eficiência energética. O responsável estima um prazo de três a cinco anos até o arranque efetivo da nova linha de produção.

Além do investimento industrial, o projeto aposta na formação de mão de obra nacional qualificada. Já existe uma parceria com o Instituto Superior Técnico, de forma a alinhar o desenvolvimento tecnológico com a formação científica e a investigação aplicada.

As previsões financeiras indicam uma receita anual de 63,5 milhões de euros, repartida entre dois segmentos principais: a fibra de carbono T700, com uma produção anual de 1.500 toneladas e receitas estimadas em 51 milhões de euros, e a fibra acrílica técnica, com 2.500 toneladas por ano e cerca de 12,5 milhões de euros em faturação prevista. Os materiais destinam-se sobretudo às indústrias aeroespacial, de defesa e de compósitos avançados como carbono, kevlar e vidro.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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