A nova medida de segurança do Instagram vai chegar em maio a quatro regiões e acontece a meio de vários processos judiciais e da pressão regulatória internacional.
O Instagram vai introduzir em breve um novo sistema de alertas destinado a pais e encarregados de educação, que dá avisos quando os menores pesquisarem repetidamente termos relacionados temas sensíveis como suicídio ou auto-mutilação. A funcionalidade anunciada pela Meta, será lançada inicialmente nos Estados Unidos da América, Reino Unido, Austrália e Canadá, com expansão prevista para outros países ainda este ano.
A ativação do recurso exige que os tutores e os mais novos estejam ambos inscritos nas ferramentas opcionais de controlo parental da plataforma. Quando o sistema deteta várias pesquisas num curto intervalo de tempo, envia uma notificação por e‑mail, SMS, WhatsApp ou diretamente na aplicação. A mensagem inclui orientações e funcionalidades preparadas para ajudar os encarregados de educação a iniciar conversas que possam ser sensíveis com os mais novos. Entre os termos monitorizados estão expressões que incentivam a auto-mutilação, frases que sugerem intenção de auto-lesão e palavras genéricas como “suicídio”.
Anteriormente, o Instagram já bloqueava este tipo de pesquisa do género e redirecionava os utilizadores para linhas de apoio, mas os novos alertas chegam para acrescentar uma camada adicional de proteção. Para definir um ponto crítico de atividades, a Meta analisou padrões de comportamento na plataforma e consultou o seu Grupo Consultivo sobre Suicídio e Auto-mutilação. A empresa admite que o sistema pode gerar falsos positivos, mas garantindo que a prioridade será a segurança. A Meta tem ainda planos para estender estes alertas às interações entre adolescentes, caso os mesmos temas sejam abordados.
A introdução deste recurso ocorre num momento delicado para a empresa, numa altura em que, por exemplo, nos Estados Unidos da América, a Meta enfrenta vários processos judiciais relacionados com alegações de que as redes sociais contribuem para comportamentos compulsivos entre jovens. Adam Mosseri, CEO do Instagram, testemunhou recentemente num desses casos, onde documentos internos revelaram que as ferramentas de controlo parental têm tido impacto limitado. Ao mesmo tempo, cresce a pressão regulatória internacional. No Reino Unido têm sido discutidas novas restrições para proteger menores online, enquanto a Austrália já proibiu o acesso às redes sociais para menores de 16 anos. Espanha, Grécia, Eslovénia e Portugal estudam medidas semelhantes, e França avalia a possibilidade de bloquear o acesso para menores de 15 anos.
