Huawei Mate X7 Review: Um dobrável maduro

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Com o Mate X7, a Huawei apresenta um smartphone tão elegante como competente, mas algumas concessões continuam inevitáveis.

Com o Huawei Mate X7 é uma estreia para mim, dado que se tornou no primeiro smartphone dobrável da Huawei que testei. Um teste interessante que apesar de revelar as capacidades da marca em trazer-nos smartphones preparados para os mais exigentes, continua a fazer concessões inevitáveis que podem não ser do agrado do todos. No entanto, onde merece maiores elogios é na qualidade de construção deste equipamento, evidente desde o primeiro momento, que o coloca num patamar difícil de igualar.

Com este novo dispositivo, a Huawei não tentou reinventar a roda, e, sinceramente, ainda bem. O design conta com uma combinação de couro vegano premium na traseira e uma estrutura em alumínio polido que lhe dá um ar de ferramenta trabalho e não de um acessório de moda. A sua cor Vermelha reforça essa ideia, sobretudo porque o seu acabamento em couro transmite uma sensação de luxo e de praticidade. É agradável ao toque, não escorrega e não fica cheio de dedadas. Dá mesmo a sensação de ser um telefone pensado para ser utilizado, não apenas para ser exibido.

As suas dimensões também mostram que a Huawei percebeu o que torna um smartphone dobrável confortável no dia a dia. Fechado, o Mate X7 fica muito próximo do tamanho de um smartphone tradicional, com cerca de 15,68 cm de altura, 7,38 cm de largura e 9,5 mm de espessura, o suficiente para deixar de parecer um bloco demasiado espesso. Já aberto, transforma‑se num pequeno tablet surpreendentemente fino, com apenas 4,5 mm de espessura. As 236 gramas colocam-no naquele ponto ideal entre leve o bastante para não cansar, e o pesado o suficiente para transmitir solidez. Mas é na ergonomia que as minhas impressões se tornam mais pessoais. O módulo de câmara é enorme, visualmente dominante, e isso altera o equilíbrio do telefone. Com ele fechado, senti várias vezes os dedos a tocar na parte inferior do módulo. Aberto, a mão tende naturalmente a deslizar para a zona da câmara, e é fácil tocar acidentalmente na lente. Não é um problema que estrague a experiência, mas é o tipo de detalhe que só se nota depois de horas de utilização contínua, não apenas através de um teste rápido. De resto, tudo está onde se espera num topo de gama, com a porta USB‑C e bandeja SIM em baixo, microfones e colunas bem posicionados, botões de volume na lateral e um botão de energia que também funciona como leitor de impressões digitais. Este último é particularmente importante num dobrável, já que ter um desbloqueio biométrico rápido e fiável faz toda a diferença entre sentir que se está a usar um smartphone normal ou um gadget que exige passos extra.

Huawei Mate X7
Ecrã externo do Huawei Mate X7

O ecrã interno do Huawei Mate X7 conta com 8 polegadas e é um painel LTPO OLED de excelente qualidade, com resolução de 2416 × 2210 pixeis e uma taxa de atualização variável entre 1 e 120 Hz. A nitidez ronda os 412 ppi e o brilho chega aos 2500 nits. O ecrã exterior, também ele LTPO OLED, conta com 6,49 polegadas, com a mesma densidade de pixeis e atinge um brilho ainda superior, perto dos 3000 nits. No uso diário, o ecrã exterior não dá aquela sensação de painel secundário que muitos dobráveis ainda transmitem. Parece mesmo o ecrã principal de um smartphone normal, extremamente legível ao sol, vibrante em interiores e com espaço suficiente para não nos sentirmos limitados. Quando se abre o ecrã interior não sente que estamos a mudar de dispositivo, mas sim a ampliar a mesma área de trabalho. Essa continuidade faz diferença, porque incentiva a usar o formato aberto quando realmente apenas faz sentido, e não para justificar que o telefone tem um ecrã de grandes dimensões.

O ecrã exterior vem protegido pelo Kunlun Glass 2, enquanto que o interior conta com uma nova camada composta por três materiais que, segundo a marca, melhora a resistência a impactos e dobra. Pode soar a marketing, mas a verdade é que em momento algum senti receio de usar e abusar do ecrã interno, já que ele não transmite aquela preocupação constante de ser algo que deva ser tratado como uma peça de porcelana. Já a sua dobradiça é construída em aço sob alumínio polido, com resistência anunciada de 2350 MPa, e que conta com um movimento de fecho com aquele som profundo e suave que transmite qualidade. É estranho dizer que uma dobradiça parece cara, mas isso percebe‑se quando se ouve. Fecha com segurança, sem aquele estalo seco que faz pensar duas vezes antes de o abrirmos. É verdade que o vinco no ecrã está lá e que se nota bem nos ângulos habituais, sobretudo em fundos claros. A boa notícia é que desaparece da atenção quando estamos a ver vídeos ou a ler, e a má noticia é que, aqueles que são mais sensíveis a esse tipo de detalhe, vão continuar a vê‑lo.

Uma nota importante é que o Huawei Mate X7 conta com as certificações IP58 e IP59, que o coloca num patamar superior se comparado com os seus concorrentes. Já não é apenas resistente a salpicos, já que agora lida muito bem com poeira e jatos de água. Para um dobrável, isto é quase revolucionário, e o único inconveniente é a sua moldura plástica de 3 mm em torno do ecrã interno que tende a acumular algum pó. Não é nada incomodativo, mas sinto-me na obrigação de o referir nesta análise, já que essa zona terá de ser limpa com alguma frequência, especialmente para aqueles que como eu tendem a transportar o telefone no bolso das calças.

Huawei Mate X7
Ecrã interno do Huawei Mate X7

É no desempenho que o Mate X7 tropeça um pouco, porque é impossível ignorar o que a Huawei consegue, ou que ainda não consegue, fazer no campo do desempenho. O equipamento está equipado pelo Kirin 9030 Pro, um processador fabricado no processo de 6 nm, com uma configuração de nove núcleos e um GPU Maleoon 935. A juntar a isso temos 16GB de RAM e 512 GB de armazenamento interno, o que em teoria, deveria garantir folga suficiente para qualquer tarefa. A marca fala em ganhos de 25% no CPU e 40% no GPU face à geração anterior, e acredito que esses números sejam realistas. O problema é que, quando o comparamos com os topos de gama atuais, o Kirin 9030 Pro comporta‑se mais como um chip de gama média, e os resultados em testes de benchmarks não deixam grande margem para dúvidas. Apesar dos chips chineses terem evoluído bastante ainda não estão ao nível dos Qualcomm Snapdragon, ou Mediatek Dimensity mais potentes. E há uma razão clara para isso, as limitações impostas à Huawei nos últimos anos afastaram a marca das cadeias de fornecimento que alimentam os processadores mais avançados do mercado.

Dito isto, a experiência real conta outra história. As aplicações abrem depressa, a navegação é fluida, a utilização multi-tarefas é estável e a transição entre o modo dobrado e desdobrado é impecável. Numa utilização normal, o telefone não engasga, e isso acaba por ser mais importante do que qualquer teste de benchmark. Muito desta suavidade parece vir do EMUI 15, que ainda é baseado no Android 12, mas que está mais afinado do que nas versões anteriores. O controlo térmico também é extremamente competente. Em navegação, fotografia, videochamadas ou multi-tarefas, o Mate X7 mantém‑se confortável na mão, sem pontos quentes irritantes. No entanto, nos jogos mais exigentes é mesmo preciso baixar as expectativas. Ele executa títulos populares sem problemas, mas não é o dobrável ideal para quem quer transformar o ecrã interno de 8 polegadas numa consola portátil. Aí sente‑se claramente a diferença para os equipamentos com processadores verdadeiramente topo de gama.

Já relativamente à autonomia, consegui verificar que a Huawei demonstrou cuidado com o Mate X7, e isso sente‑se no uso diário. A marca dotou o equipamento de uma bateria de 5600mAh, que é suportada por carregamento rápido com fios a 66W, carregamento sem fios a 50W e ainda carregamento reverso a 7,5W. Em utilização real, isto traduz‑se numa autonomia que não só chega aos dois dias, como muitas vezes os ultrapassa. Num dos testes mais intensos que fiz, com o ecrã interno aberto durante longos períodos, navegação, redes sociais, WhatsApp, fotografia, o telefone terminou o dia com cerca de 55% de bateria e aproximadamente 4 horas de ecrã ligado. Para um smartphone dobrável com dois painéis, isto é impressionante. Há, no entanto, um “mas”. Quando se entra em cargas de trabalho pesadas, como medições de desempenho/benchmarks ou sessões prolongadas de jogos no ecrã interno, a bateria “evapora” muito mais depressa. Não chega a ser surpreendente, porque estamos a falar de um painel grande e de um processador que não é o mais eficiente do mercado, mas é algo a ter em conta se pretendes usar o Mate X7 como uma consola portátil improvisada. A boa notícia é que o carregamento rápido compensa bastante estes momentos de maior consumo, mas é bom que tenha um carregador compatível, e com boas potências de carregamento, já que tal como as outras fabricantes a Huawei não fornece o carregador com a compra do equipamento.

Huawei Mate X7
Sensores fotográficos do Huawei Mate X7

A abordagem da Huawei às câmaras continua a fugir daquela estética artificial e saturada que muitas marcas perseguem. O Mate X7 aposta claramente no realismo e, na maior parte do tempo, acerta em cheio. Na traseira, encontramos uma câmara principal de 50MP com estabilização ótica, uma lente ultra‑angular de 40MP com foco automático e uma lente teleobjetiva macro de 50MP também com estabilização ótica e zoom ótico de 3,5x. Há ainda um emissor e recetor de laser para o foco, um emissor infravermelho e um sensor de espectro de cor, e estes são alguns pequenos detalhes que ajudam a explicar porque é que a Huawei costuma ser tão consistente na reprodução cromática.

Com a câmara principal, em boas condições de luz, as fotos capturadas apresentam detalhe, muito detalhe, cores equilibradas e realces controlados, sem aquele brilho exagerado que transforma os cenários em postais turísticos. As bordas mantêm um aspeto natural e a imagem final parece fiel ao que realmente estava à frente da lente. Mas a teleobjetiva é, para mim, a maior surpresa. O seu zoom ótico de 3,5x é perfeito para o dia a dia, já que aproxima o suficiente sem entrar em exageros que comprometam a qualidade. Entre 2x e 3,5x, a nitidez é excelente, e por volta dos 10x, ainda se conseguem bons resultados, mas já se nota o toque da fotografia computacional com alguma suavização, compressão e, ocasionalmente, nitidez a mais. Nada que outras marcas não façam, mas convém ter presente.

À noite, o Huawei Mate X7 mantém o nível. O sensor capta muita luz e as imagens continuam estáveis, com pouco ruído e sem aqueles artefactos estranhos que costumam aparecer em zonas iluminadas. Há alguma suavização, sobretudo com zoom, mas a qualidade geral continua surpreendentemente boa. É um sistema de câmara que transmite confiança porque raramente falha, independentemente da iluminação. Já a lente ultra‑angular mantém o papel de coadjuvante competente, já que não rouba protagonismo, mas é fiável e o foco automático dá‑lhe a versatilidade suficiente para não ser apenas uma lente para paisagens.

Huawei Mate X7
EMUI 15 no Huawei Mate X7

A experiência de software da Huawei continua a ser aquela mistura curiosa entre coisas muito bem pensadas e outras que lembram, a cada minuto, as limitações do ecossistema. E no Huawei Mate X7 isso fica especialmente evidente. A parte positiva é que a utilização multi-tarefas no ecrã interno funciona realmente bem. Os gestos são intuitivos, com arrastar uma aplicação para a esquerda a coloca-la em ecrã dividido, e podemos escolher se queremos dividir vertical ou horizontalmente. Há ainda um modo que lembra o Stage Manager, que surge quando empurramos uma aplicação para além do espaço que ela ocupa, e as janelas flutuantes aparecem com um simples gesto para a direita. O cenário ideal acaba por ser ter duas aplicações lado a lado e uma terceira a pairar por cima, uma espécie de mini‑tarefa sempre à mão. No dia a dia, isto torna o ecrã de 8 polegadas realmente útil, e não apenas um truque digno de um smartphone dobrável. Mas depois vêm as frustrações, já que a divisão de ecrã está presa a um rígido 50/50, sem qualquer hipótese de ajuste. Num dispositivo que se vende pela flexibilidade, isto soa a uma limitação artificial. E, claro, continuamos dependentes dos programadores de terceiros, já que muitas aplicações simplesmente esticam-se para preencher o ecrã, sem qualquer otimização. Algumas, como WhatsApp ou Instagram, comportam‑se melhor, mas a verdade é que este é um problema transversal ao quase todos os dobráveis, e não apenas ao da Huawei.

E depois temos o eterno capítulo Google. Os serviços oficiais não vêm incluídos e a AppGallery cobre apenas uma parte das necessidades. Para quem vive dentro desse ecossistema a solução passa por ferramentas estilo G‑Box, que cria um ambiente virtual onde é possível instalar aplicações através da Play Store. Funciona surpreendentemente bem, as atualizações chegam e até dá para criar atalhos. A única estranheza é que as notificações podem aparecer como vindas do próprio G‑Box, o que serve como lembrete de que estamos a utilizar um remendo, e não uma integração nativa. E outro dos lados menos glamorosos do software da Huawei também aparece logo ao ligar o Mate X7, já que temos demasiadas aplicações. Pastas pré‑criadas que sugerem downloads, ferramentas duplicadas, serviços próprios para tudo e mais alguma coisa, como o Petal Search, Petal Maps, leitores de multimédia, aplicação de e‑books, gestor de ficheiros, Huawei Health… algumas são úteis, outras são apenas ruído que temos de acaba por desinstalar ou simplesmente desativar.

Quanto à inteligência artificial, a Huawei segue um caminho mais discreto do que a tendência atual de enfiar assistentes em todos os cantos do sistema. Há uma ferramenta de edição com IA para retoques simples e a assistente Celia, mas nada que se aproxime da experiência que é oferecida, por exemplo, pelo Gemini. Dependendo da personalidade de cada um, isto pode ser refrescante ou desapontante, e para mim é simplesmente menos intrusivo. E relembro que através do G-Box, até o Gemini fica funcional. Ou seja, no geral, o software do Huawei Mate X7 vive entre dois mundos, que por um lado é fluido, estável e muito bem otimizado, mas por outro, continua a exigir adaptações e tolerância a soluções alternativas. A questão é perceber se, para quem o utiliza, o lado positivo compensa o resto. Para mim, à muito que deixou de ser um entrave.

Huawei Mate X7
Huawei Mate X7

O Huawei Mate X7 acaba por se afirmar como um dobrável Premium muito bem conseguido, daqueles que mostram maturidade em vez de experimentalismo. O design mais fino, os dois ecrãs brilhantes, a autonomia generosa e um sistema de câmaras consistente fazem dele um dispositivo que realmente muda a forma como se usa um smartphone deste tipo. As câmaras são, sem dúvida, o ponto mais forte, já que produzem imagens realistas, equilibradas e fiáveis em praticamente qualquer cenário, com um zoom pensado para situações do dia a dia em vez de números exagerados para marketing. No uso comum, tudo corre de forma fluida, mesmo que o processador não esteja ao nível dos chips topo de gama atuais e não ofereça suporte para as redes 5G. O software oferece ferramentas de utilização multi-tarefas muito úteis, mas continua a trazer aplicações pré-instaladas a mais e as inevitáveis limitações que são impostas ao ecossistema da Huawei.

Para quem procura um dobrável com um acabamento mais maduro, que não pareça um protótipo caro, e está disposto a viver fora do universo Google, o Huawei Mate X7 é uma proposta convincente, mesmo custando 2099€. Mas se o que mais valoriza é desempenho máximo em jogos, uma experiência de software o mais limpa possível ou a integração total com os serviços Google, mais vale olhar para outras soluções.

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Este produto foi cedido para análise pela Huawei

Joel Pinto
Joel Pinto
Joel Pinto é profissional de TI há mais de 25 anos, amante de tecnologia e grande fã de entretenimento. Tem como hobbie os desportos ao ar livre e tem na sua família a maior paixão.
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