O Honor Magic8 Lite não inova em tudo, mas destaca‑se pela excelente autonomia e pela construção muito resistente para um modelo económico.
A gama de smartphones mais acessíveis da Honor tem conseguido, ao longo do tempo, conquistar o seu próprio espaço graças à autonomia e a uma robustez que transmite segurança. Ao experimentar o novo Magic8 Lite, a sensação que fica é a de que a marca decidiu elevar um pouco mais a fasquia, com resistência a quedas e a proteção contra água e poeiras, que são do melhor que já vi neste segmento. As certificações IP68 e IP69K colocam-no muito perto do nível do Magic8 Pro, que também chegou recentemente ao mercado.
A filosofia mantém-se muito próxima daquela que já era oferecida pelo Magic7 Lite, e percebe-se que continua a ser um modelo pensado originalmente para o mercado chinês, mas com alguns ajustes para agradar ao público europeu, sobretudo no que toca à bateria, que foi mantida dentro dos limites legais de importação. Com preço a começar nos 399€, o Magic8 Lite posiciona-se frente a frente com equipamentos como o Redmi Note 15 Pro+ 5G, que também conta com a mesma filosofia baseada na resistência e na durabilidade.

No passado, a Honor insistia em utilizar vidro com as bordas curvas, mas, com o Magic8 Lite, a marca decidiu mudar de abordagem, uma vez que, agora, tanto a frente, como a traseira, são planas, e a moldura mais quadrada aproxima-o visualmente do modelo topo de gama. Até o módulo das câmaras, com aquela borda serrilhada, segue a mesma linha. O resultado é um telemóvel com um ar muito mais atual e, sinceramente, não diria à primeira vista que pertence a uma gama mais económica. A construção continua a recorrer ao policarbonato, tanto na estrutura como na traseira, mas os acabamentos são suficientemente bem conseguidos para enganar à distância. Melhor ainda, não ficam cheios de dedadas ao mínimo toque.
A unidade que recebi para teste veio em Verde Floresta, e a verdade é que fiquei rendido. Não é tão chamativa como o Marrom Avermelhado, mas tem muito mais presença do que o Preto Meia‑Noite. Curiosamente, estas cores não têm grande ligação às do Magic8 Pro, o que faz sentido se pensarmos que este modelo é, na prática, o Honor X9d chinês adaptado para a Europa, e não um projeto desenvolvido lado a lado com o topo de gama. A nova estrutura plana melhora bastante a forma como o telefone assenta na mão, sem o tornar mais volumoso. Aliás, a Honor até conseguiu torná-lo ligeiramente mais fino. Com 7,9 mm, supera muitos topos de gama atuais. É verdade que ganhou alguns gramas face ao seu antecessor. E apesar de tudo isto, continua a ser um verdadeiro tanque de guerra, já que a marca garante que aguenta quedas de até 2,5 metros em cimento e resiste tanto a mergulhos prolongados em água fria, como a contactos rápidos com água quente. Poucos smartphones conseguem sobreviver a uma lavagem rápida em água quente sem protestar. O Corning Gorilla Victus 2 da frente também se manteve impecável durante todos os testes. E para quem procura tranquilidade sem gastar demasiado, é difícil encontrar algo tão convincente, que até permite ser utilizado com os dedos molhados. Num aparelho deste preço, é quase um luxo inesperado.
A ligeira expansão do ecrã de 6,79 polegadas no Magic8 Lite, em comparação ao seu antecessor, deve‑se unicamente às margens mais finas, que desta vez têm apenas 1,3 mm. Na prática, isso traduz‑se numa proporção ecrã‑corpo de 94,6%, que quase preenche a mão inteira quando o seguro. A resolução 2640×1200 parece-me adequada e tem suporte para taxa de atualização variável entre 60 e 120Hz, que já é comum nos modelos mais acessíveis, mas que, aqui, funciona de forma particularmente fluida, acelerando assim que há movimento no ecrã. O painel AMOLED oferece aquilo que toda a gente espera, com cores intensas, contraste forte e aquele impacto visual que faz jogos e filmes ganharem outra vida. Os habituais modos de cor e ajustes de temperatura continuam disponíveis nas definições, e os modos de proteção ocular da Honor passaram finalmente para um menu próprio, o que torna mais claro o efeito de cada opção no cansaço visual.
O suporte para HDR, que antes era quase irrelevante na linha Lite, faz finalmente a diferença. O Magic8 Lite lida muito bem com conteúdos da Netflix e do YouTube. Não posso confirmar os alegados 6000 nits de brilho máximo em HDR, mas a visibilidade no exterior impressionou‑me, sobretudo quando o utilizei numa manhã fria em Lisboa, sem qualquer dificuldade em ver o que estava no ecrã. Já o áudio segue a mesma configuração de sempre, com uma coluna virada para baixo e o altifalante de chamadas a complementar. O volume atinge níveis interessantes sem destruir por completo os detalhes da música. Como seria de esperar, os graves são limitados, mas não senti falta de auscultadores para ver vídeos rápidos nas redes sociais.

A Honor tem mantido praticamente a mesma configuração de câmara traseira na linha Lite ao longo das últimas três gerações. Com o Magic8 Lite, a empresa manteve o sensor de 108MP com OIS do seu antecessor e que é acompanhado pela já “cansada” lente ultra‑angular de 5MP. Tirando alguns ajustes internos no processamento de imagem, não encontrei nada que já não tivesse visto nos modelos anteriores. O sensor ultra‑angular continua a apanhar uma boa parte da cena que se quer fotografar, mas perde-se completamente quando se trata de texturas e detalhes mais finos. A gama dinâmica é mais limitada do que a da câmara principal, a exposição tende a estourar facilmente e o ruído aparece mesmo em interiores bem iluminados. É o tipo de lente que, honestamente, a maioria dos utilizadores acabará por ignorar.
No entanto, a câmara principal do Magic8 Lite comporta-se muito melhor. A abertura f/1.8 permite-lhe captar bastante luz em exteriores e a Honor acertou no equilíbrio de cores, sem saturação exagerada ao estilo Instagram, mas também não cai no extremo oposto de imagens sem vida. A gama dinâmica é apenas aceitável para o segmento e, embora o sensor reduza automaticamente os 108MP para 12MP, a quantidade de detalhe é razoável. A estabilização ótica ajuda, mas não o suficiente para o destacar de forma clara face aos rivais diretos, seja de dia ou de noite. O zoom 2x e 3x continua a depender de recorte do sensor e agrupamento de pixeis. Achei o zoom de 3x mais convincente do que o de 2x, com imagens mais nítidas e definidas. Ainda assim, nenhum deles brilha em cenários noturnos, com ruído que aumenta significativamente e as luzes mais altas ficam facilmente queimadas. O modo noturno dá uma ajuda, mas está longe de fazer milagres.
Por fim, a câmara frontal de 16MP, que também usa foco fixo, oferece cores decentes e detalhe suficiente quando a luz é boa. Cumpre perfeitamente para videochamadas e selfies ocasionais, mas não me consegue impressionar.
A Honor ainda não conseguiu alinhar totalmente o software em toda a sua gama Android. Isso nota‑se no Magic8 Lite, que chega com o Magic OS 9, baseado no Android 15, uma geração atrás do que aquilo que encontramos no Magic8 Pro. E dependendo do ponto de vista, isso até pode jogar a seu favor. A Honor tem seguido uma linha muito inspirada no iOS 26 nas suas interfaces mais recentes, com vários elementos visuais ao estilo Liquid Glass, mas nada disso aparece aqui. O aspeto é mais simples e direto, e pessoalmente achei-o mais intuitivo.
Em termos de funcionalidades, não há grandes novidades: o Magic Capsule continua presente no recorte da câmara frontal, oferecendo controlos básicos como música e temporizadores, mas sem ir muito além disso. Já o Magic Portal, que reconhece o contexto, revelou‑se mais prático, e permite alternar rapidamente entre textos ou imagens de diferentes aplicações. No resto, tudo soa familiar, com opções razoáveis de personalização do ecrã inicial, muitos widgets da própria Honor e a integração habitual com o Google Gemini. A inteligência artificial marca presença nas traduções, nas transcrições de áudio e nos resumos automáticos de texto, e a galeria inclui algumas ferramentas de edição generativa. Nada particularmente surpreendente, mas tudo funciona de forma competente.
Mesmo não sendo um modelo que vá receber tanta atenção como os topos de gama da marca, o Magic8 Lite vai contar com seis anos de atualizações do sistema operativo Android e seis anos de atualizações de segurança. Para um telemóvel que se considera acessível, isso coloca-o em boa posição no universo Android, aproxima-o daquilo que é oferecido pela Google e pela Samsung.

A indústria anda ocupada a tentar aumentar a capacidade das baterias, e as marcas chinesas estão claramente na dianteira. Embora muitas concentrem esses avanços nos modelos mais caros, a Honor decidiu levar a tecnologia de silício‑carbono também para a gama mais acessível. O resultado é que o Magic8 Lite conta com uma bateria de 7500mAh, que é provavelmente a maior bateria que podemos encontrar oficialmente em Portugal, dentro da sua faixa de preço. Sem grandes cuidados, consegui utilizar este equipamento durante dois dias, antes de precisar de o ligar ao carregador. Com algumas preocupações, três dias de utilização são perfeitamente possíveis, e só quem passa horas a jogar deverá ver a bateria a cair mais depressa nas primeiras 24 horas. E quando é preciso carregar, basta utilizar a sua porta USB-C para o efeito, e com até 66W de potência. No entanto, é preciso ter um carregador compatível, já que a Honor não o inclui na caixa. Uma carga completa demora cerca de 75 minutos, e meia hora chega para ter energia para metade da bateria.
No seu interior, o Honor Magic8 Lite conta com o Qualcomm Snapdragon 6 Gen 4, que é acompanhado por 8GB de RAM e 512 GB de armazenamento interno, que a meu ver é mais do que suficiente para o dia a dia. Ainda assim, convém lembrar que estamos perante um telemóvel acessível. O desempenho não impressiona e os testes colocam-no ao nível de outros modelos na faixa dos 400€. No uso real, senti apenas que as aplicações demoram um pouco mais a abrir e que as imagens carregam ligeiramente mais devagar ao navegar na web. Nada que estrague a experiência, mas quem vier de um equipamento antigo, mais potente, vai notar a diferença. As animações mantêm-se fluidas e a divisão de ecrã para multitarefa continua perfeitamente utilizável. No entanto, se a ideia é utiliza-lo em jogos, o melhor é optarem por outra solução. Alguns jogos mais básicos são executados sem grandes problemas, mas caso experimentem jogos mais exigentes, como o PUBG Mobile ou Call of Duty: Mobile, irão notar claramente que este dispositivo não foi pensado para esse intuito.

Com o desempenho apenas a ser adequado para o preço e com sensores fotográficos que já começam a acusar alguma fadiga, o Magic8 Lite acaba por surpreender em outros aspetos que, para mim, pesam bastante mais no uso diário. A sensação de robustez é algo que, simplesmente, não é habitual encontrar neste segmento, e a bateria colossal, capaz de aguentar três dias longe da tomada, transforma‑o num companheiro fiável como poucos.
O facto de trazer uma versão do Android antiga não me parece um problema sério quando a marca promete seis anos de atualizações. E embora o seu sensor ultra‑angular não brilhe, a câmara principal continua a entregar resultados perfeitamente aceitáveis para um equipamento nesta faixa de preço.
Este dispositivo foi cedido para análise pela Honor.
