Grupo de trabalho governamental visa analisar a profissão de calceteiro e propor medidas para proteger a Calçada Portuguesa, património cultural nacional.
O Governo anunciou a criação de um Grupo de Trabalho dedicado à valorização dos calceteiros e da Calçada Portuguesa, com o objetivo de preservar e dignificar este património cultural imaterial, atualmente candidato a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A iniciativa visa assegurar a transmissão de um saber-fazer tradicional, ameaçado pelo envelhecimento da classe profissional e pela escassez de novos especialistas qualificados.
A média etária dos calceteiros situa-se entre os 55 e os 60 anos e, em cerca de metade dos municípios, todos os profissionais ativos têm mais de 50 anos. Entre 2021 e 2024, foram emitidas apenas 22 certificações formais, evidenciando a limitação da formação disponível e a necessidade de medidas estruturadas para garantir a continuidade desta prática histórica.
O Governo considera que a situação representa um risco real para a sobrevivência do conhecimento tradicional, destacando a urgência de proteger o que designa como Arte e Saber Fazer da Calçada Portuguesa, já inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial desde 2021. Entre os desafios identificados estão a inexistência de um percurso formativo estruturado, a ausência de normas técnicas uniformes e a falta de mecanismos consistentes de certificação, fatores que comprometem a preservação e a sustentabilidade da tradição.
O Grupo de Trabalho terá como missão avaliar a realidade profissional dos calceteiros, propor soluções concretas e apresentar recomendações legislativas que reforcem a salvaguarda e valorização da profissão e da Calçada Portuguesa. O relatório final terá de ser entregue seis meses após a entrada em vigor do despacho que cria o grupo.
