Transição será longa e marcada por limitações técnicas e obrigações de suporte.
O ChromeOS tem os dias contados. Documentos judiciais revelados recentemente mostram que a Google planeia substituir por completo o seu sistema operativo por uma nova plataforma para PCs, inspirada no Android, ao longo da próxima década. O projeto, conhecido internamente como Aluminium OS, representa uma das maiores mudanças estratégicas da empresa no setor dos computadores pessoais.
Segundo informações divulgadas pelo The Verge, a Google já definiu um calendário para a transição total, que só deverá estar concluída em 2034. Até lá, o ChromeOS e o Aluminium OS vão coexistir, não por opção, mas por obrigação. A empresa comprometeu‑se a garantir 10 anos de suporte para os Chromebooks atualmente no mercado, o que significa manter o ChromeOS ativo pelo menos até 2033.
A primeira versão do Aluminium OS deverá surgir ainda em 2026, destinada a um grupo restrito de beta testers. Já um lançamento mais amplo está previsto apenas para 2028. Este intervalo de tempo vai permitir que o novo sistema amadureça antes de chegar ao público que hoje depende dos Chromebooks.
O maior obstáculo técnico prende‑se com a incompatibilidade entre a maioria dos dispositivos atuais e o novo sistema. A arquitetura do Aluminium OS não será suportada por grande parte do hardware existente, o que impede uma migração rápida. Assim, a Google terá de manter duas plataformas em paralelo durante vários anos.
Os documentos revelam ainda que o ChromeOS desempenhou um papel importante em processos judiciais recentes, nomeadamente na defesa do ecossistema Chrome. Forçar a separação do navegador durante esta fase de transição teria tornado o suporte a máquinas antigas praticamente inviável. Outro ponto relevante é que dispositivos com ChromeOS, ou com o futuro Aluminium OS, estarão isentos de algumas restrições que a Google aplica no Android relativamente à priorização de aplicações proprietárias.
Embora a empresa não comente oficialmente os prazos, parece claro que o ChromeOS será descontinuado assim que o ciclo de suporte dos dispositivos atuais terminar, abrindo caminho para um novo capítulo na estratégia de software da Google para computadores pessoais.
