A privatização da TAP tem como eixo central a expansão das rotas de longo curso para o Brasil e África, segundo os planos da Lufthansa e da Air France-KLM.
O processo de venda da TAP Air Portugal tem o seu futuro estratégico fortemente ancorado na expansão dos voos de longo curso. Segundo avança o Jornal de Negócios (acesso pago), propostas de aquisição apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa convergem numa aposta clara nas ligações aéreas intercontinentais entre a Europa, as Américas e o continente africano.
O racional económico para a privatização da companhia aérea nacional assenta na rentabilização do aeroporto de Lisboa, cuja localização geográfica no extremo ocidental europeu garante rotas comerciais mais rápidas e com menores custos operacionais operacionais para os consórcios europeus.
A estratégia da Lufthansa para a TAP destaca precisamente a vantagem competitiva do centro de operações da capital portuguesa. Ao mesmo jornal, Tamur Goudarzi Pour, responsável de estratégia do grupo de aviação alemão, quantificou que os voos para a América do Norte e para África a partir de Lisboa representam uma redução de 10% no tempo de viagem, quando comparados com as partidas de infraestruturas centrais como Frankfurt ou Munique. O objetivo da companhia passa por exponenciar o tráfego nas rotas transatlânticas e consolidar a presença da transportadora portuguesa no Brasil, mercado onde a TAP opera como uma transportadora de referência e apresenta um ativo estratégico para a consolidação germânica na América do Sul.
A visão da Air France-KLM para a compra da TAP segue uma matriz operacional idêntica. O presidente executivo do grupo franco-neerlandês, Benjamin Smith, sustenta que a atratividade comercial da empresa portuguesa reside, fundamentalmente, na sua forte implantação na América do Sul. A integração da rede de voos da TAP para o Brasil permitiria à Air France-KLM recuperar a quota de mercado perdida nos últimos anos e assumir a liderança europeia nas ligações para a América Latina, potenciando as rotas e os destinos recentemente anunciados pela transportadora nacional.
No planeamento da rede aeroportuária nacional, os projetos da Lufthansa e da Air France-KLM para a TAP integram o aeroporto do Porto como uma base de operações secundária. A infraestrutura nortenha é perspetivada como um complemento estratégico ao “hub” de Lisboa para o desenvolvimento de novas conectividades internacionais. Em sentido inverso, o aeroporto de Faro não figura nos eixos de desenvolvimento prioritários destes grupos de aviação. A presença da TAP no Algarve mantém uma expressão tática reduzida, num espaço aéreo regional que tem sido progressivamente dominado por companhias concorrentes, refletindo-se na recente entrada e expansão de transportadoras norte-americanas no sul do país.
