Plano de reabilitação urbana da Foz Velha prevê requalificação do património, criação de novos espaços públicos e programas de coesão social ao longo da próxima década.
A Foz Velha prepara-se para uma profunda transformação urbana que deverá afirmar, na próxima década, a sua identidade histórica e patrimonial. O plano, inserido na Operação de Reabilitação Urbana (ORU), prevê um investimento global de 189,2 milhões de euros, provenientes de fundos públicos, privados e de parcerias. A proposta será agora submetida a parecer do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), num processo que incluirá também uma fase de discussão pública.
O programa está estruturado em oito grandes domínios de intervenção e 42 ações concretas, abrangendo desde a recuperação do edificado até à valorização do património classificado. Entre as prioridades estão a requalificação das ilhas da zona, com foco na melhoria das condições de habitabilidade, salubridade e morfologia urbana. No campo patrimonial, destacam-se a intervenção na área do Monte da Luz e os trabalhos de valorização da Esplanada do Castelo, zonas de forte peso simbólico e histórico.
As medidas de proteção ambiental e de ordenamento incluem a requalificação das frentes atlântica e ribeirinha, bem como atuações específicas em áreas consideradas de risco. Em matéria de mobilidade, o Plano Estratégico de Reabilitação Urbana (PERU) prevê a criação de um sistema de transporte de curta distância designado Eco-Local e a renovação da Marginal Atlântica, articulando a mobilidade sustentável com a paisagem costeira.
O programa contempla ainda ações de revitalização do comércio local e iniciativas de coesão social integradas na Rede Social do Porto. O plano inclui também a recuperação de equipamentos coletivos de relevância histórica, como o antigo Sanatório da Foz do Douro e o Forte de São João Batista, este último destinado a ser reconvertido num espaço de caráter interpretativo e museológico, aberto a atividades culturais e educativas.
Um dos eixos centrais da operação passa pela participação ativa da comunidade. A Câmara Municipal quer envolver os residentes através da criação de um polo cultural e da dinamização de um fórum de cidadania, instrumentos pensados para reforçar o sentimento de pertença e estimular o diálogo local.
O modelo de financiamento da ORU distribui os recursos entre investimento público, privado e parcerias. Cerca de 36% (68 milhões de euros) do total terá origem pública, 24,9% (47 milhões) virá de parcerias público-privadas e 39,1% (73,9 milhões) será assegurado por capitais privados. A maior fatia – perto de dois terços – será canalizada para a reabilitação de edifícios, enquanto 20,5% se destinam à requalificação do espaço público, com o objetivo de criar zonas de estadia e percursos acessíveis para diferentes tipos de uso, do lazer à cultura e à educação.
Foto: Andreia Merca
