Fórmula 1 – Grande Prémio de Itália dá vitória a Pierre Gasly

A Fórmula 1 voltou a Monza para o Grande Prémio de Itália e a emoção voltou à prova rainha do desporto motorizado. Os dois Ferraris de fora, Lewis Hamilton fora do top 5 e Peirre Gasly como vencedor improvável.

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Texto por: André Santos

Esta semana de Fórmula 1 vai ficar para a história. Primeiro a Renault F1 Team anunciou que a partir do próximo ano a equipa mudará de nome, passando agora o testemunho para a marca Alpine F1 Team, nome já bem conhecido no desporto automóvel. O fim de semana de F1 continuou com o fim já anunciado – era esta a última prova com Claire Williams como Team Principal da equipa fundada pelo seu pai, Sir Frank Williams. Depois de ter sido vendida à empresa Norte-Americana Dorilton Capital, o último membro da família Williams deixa o paddock, transformando aquela que era a última equipa “de família” em apenas mais uma equipa. 

Mas claro, as emoções fortes não acabavam por aqui e o Grande Prémio de Itália continuou a debitar adrenalina quando ao fim da primeira volta um dos Mercedes, o de Valtteri Bottas, já ia em 6º lugar e o top 3 à terceira volta era composto por Lewis Hamilton, Carlos Sainz Jr. e o Britânico Lando Norris. Estranho não é? Mas esperem que isto continua… corria-se a 7ª volta e já Sebastian Vettel dizia ter problemas no seu Ferrari SF1000, que se não foram suficientemente visíveis quando lutava para não ser ultrapassado por um Williams na reta da meta acabaram por saltar à vista de todos quando o Alemão teve problemas num dos travões traseiros e seguiu em frente na primeira chicane caindo para 19º e acabando por desistir no fim dessa mesma volta. Um domingo que começava a desenhar-se negro para a Scuderia num Grande Prémio que geralmente é de festa para os Tifosi. 

Numa altura em que a batalha pelo terceiro lugar estava ao rubro, com Norris, Sergio Pérez e Daniel Ricciardo a tentarem o último lugar do pódio, quem também não estava com motivos para sorrir era a Red Bull Racing Honda que via um dos seus carros, o de Max Verstappen, em 5º lugar e o outro, o de Alexander Albon, a levar uma penalização de 5 segundos por não ter mantido o carro nos limites da pista. Passando para a Mercedes, e para a volta 17, existiam dois extremos: Lewis Hamilton continuava a aumentar a sua vantagem, estando agora a mais de 10 segundos de Carlos Sainz Jr. que seguia em segundo lugar, e Valtteri Bottas queixava-se que não conseguia correr com aquele modo de motor, dizendo mesmo que “era ridículo”, neste que foi a primeira prova sem o famoso “Party Mode” – As equipas têm agora que usar o mesmo modo de motor desde a qualificação até ao fim da corrida. 

Se na volta 18 Charles Leclerc, depois da paragem nas boxes, seguia em 17º a mais de 30 segundos do carro à sua frente, foi na volta 20 que o rumo da corrida começava a mudar. O Haas de Kevin Magnussen teve problemas no fim do terceiro sector o que levou o piloto Dinamarquês a parar o mesmo antes da entrada das boxes… até aqui tudo normal, um Hass com problemas, quem nunca? Mas com o carro parado à entrada da pit lane a decisão foi de empurrar o monolugar até ao seu lugar, na garagem da equipa, e para isso era necessário, para além de um safety car, proibir a entrada de carros nas boxes… quem não reparou nesta proibição foi a Alfa Romeo e a Mercedes, dando instruções aos seus pilotos, Antonio Giovinazzi  e Lewis Hamilton, para parar nas boxes e aproveitar o safety car para a normal troca de pneus. 

Ainda não se sabia o resultado desta falta de atenção e já o Ferrari de Charles Leclerc estava enfiado no muro exterior da curva Parabolica. Resultado: Muro para reparar + Red Flag = Corrida interrompida e novo arranque. Hamilton que nesta altura ainda estava no topo da classificação, mas já sabia que tanto ele como Giovinazzi teriam que parar nas boxes durante 10 segundos para cumprir penalização, consegue dar 1.8 segundos de vantagem ao segundo lugar em apenas uma volta depois do segundo arranque da corrida. 

No entanto, o fim estava anunciado, Hamilton cai para último com 30 segundos para recuperar em relação ao improvável primeiro lugar – Pierre Gasly, que mais uma vez estava a fazer uma corrida extraordinária ao volante do seu AlphaTauri. Era esta corrida excelente de Gasly que dava esperança à Honda de conseguir ter um dos seus motores no pódio, já que na volta 31 Max Verstappen ficava de fora depois de os engenheiros terem percebido que existiam problemas mecânicos com o motor do Red Bull. 

Saltemos agora para a fase final deste Grande Prémio de Itália, se o Alfa Romeo de Kimi Raikkonen ia em terceiro lugar, o motor Ferrari do monolugar não ajuda e depressa começou a perder lugares. Primeiro foi Lance Stroll, depois Lando Norris seguido de Bottas e de Ricciardo que também se juntou à festa que ia deixando o piloto da Alfa Romeo cada vez mais para trás, acabando mesmo fora dos pontos, em 13º lugar. 

A 10 voltas do fim Hamilton continuava a escalar na tabela para conseguir acabar em 7º lugar. Esta escalada impressionante do piloto da Mercedes fez com que conseguisse também um ponto extra, ao alcançar a volta mais rápida com 1.22.746. A luta pelos lugares da frente foi até ao último suspiro, até à última volta a emoção estava de volta à Fórmula 1. A McLaren dizia a Carlos Sainz Jr. para usar e abusar do ERS na sua perseguição a Pierre Gasly e ao lugar mais alto do pódio, já o francês defendia a sua posição com unhas e dentes para assim conseguir festejar no fim… ultima volta, ERS, DRS, todas as cartas na mesa para a McLaren e para Sainz, mas nem isso foi suficiente… o Grande Prémio de Itália foi mesmo enorme e acabava com um vencedor improvável, e sem palavras no fim da corrida – Pierre Gasly, seguido de Carlos Sainz Jr. e Lance Stroll, com Lando Norris e Valtteri Bottas a fechar o top 5. 

Agora é altura de despedidas, para a semana estamos de volta a Itália, a Mugello, para o Grande Prémio da Toscana. Uma corrida onde se espera que a emoção continue, e onde os Tifosi esperam ver a sua amada Ferrari de volta aos pontos, pelo menos aos pontos. Os modos de motor diferentes durante a corrida e qualificação continuam de fora e a Williams já não terá Claire na pit lane. A Fórmula 1 está a mudar. 

Até à próxima Claire. 

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