A 10.ª edição do Festival Mental, a decorrer em maio, revisita uma década dedicada ao diálogo entre cultura e saúde mental em Portugal.
O Festival Mental – Cinema, Artes e Informação comemora este ano a sua 10ª edição, que decorrerá entre 14 e 17 de maio no Cinema São Jorge, em Lisboa, e noutros espaços ainda por anunciar. Criado com o propósito de combater o estigma associado à saúde mental através da cultura, o evento celebra uma década de atividade contínua, assente na sensibilização social e na valorização do diálogo público em torno deste tema.
Desde a sua criação, o Festival Mental procurou afirmar-se como um espaço de reflexão e partilha, onde a arte funciona como mediadora entre o desconhecimento e a compreensão. O projeto tem promovido o encontro entre diferentes públicos, oferecendo um contexto que privilegia a empatia e a discussão informada das questões que envolvem a saúde mental. A celebração destes 10 anos representa, por isso, não apenas um marco institucional, mas também o reconhecimento do papel que o festival desempenhou no debate cultural e científico sobre o tema em Portugal.
A edição de 2026 foi concebida como uma revisitação do percurso do festival, reunindo testemunhos, textos e contributos de vários participantes que ao longo dos anos colaboraram com a iniciativa. O programa propõe uma leitura crítica e afetiva desses contributos, destacando as transformações ocorridas no campo da saúde mental durante a última década e traçando um retrato dos desafios que persistem.
O cinema mantém-se como o eixo central da programação, complementado por outras expressões artísticas como a literatura, a dança, o teatro e a música. Um dos segmentos destacados é o My Story, My Song, onde experiências pessoais são reinterpretadas e transformadas em peças musicais, numa abordagem que combina testemunho e criação artística.
O Festival Mental mantém ainda a coprodução da Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental, reforçando a articulação entre o setor cultural e o campo científico. Estas parcerias, consolidadas ao longo dos anos, têm contribuído para dar sustentabilidade institucional ao evento e para ampliar o seu alcance junto de públicos diversificados.
Outros formatos característicos do projeto, como as M-Talks, serão retomados nesta edição. Vários intervenientes regressam para analisar os temas anteriormente debatidos, oferecendo uma perspetiva atual sobre as mudanças observadas desde então e sobre os aspetos que permanecem em aberto. Esse exercício de retrospetiva pretende atualizar o diagnóstico do estado mental coletivo e estimular novas abordagens na prevenção e promoção da saúde mental.
A vertente intergeracional é outro dos pilares mantidos. O programa inclui os segmentos M-Jovem e M-Sénior, dedicados a diferentes faixas etárias e com atividades próprias, desde oficinas e ações participativas até à Mostra Internacional de Curtas-Metragens. O objetivo é aprofundar a literacia em saúde mental e incentivar a expressão artística ao longo de várias etapas da vida.
Criado em 2025, o segmento M-Click será também retomado. Dedicado à experimentação e à inovação, o espaço acolhe projetos emergentes e novas abordagens criativas nas áreas da arte e da saúde mental, reafirmando o compromisso do festival com a renovação das linguagens culturais e com o pensamento crítico sobre o futuro deste campo.
