Dados de 2025 revelam que a maioria dos atrasos na Fertagus teve origem em limitações da infraestrutura ferroviária e no crescimento da procura.
A Fertagus veio a público explicar que os constrangimentos atualmente sentidos na operação ferroviária resultam de uma conjugação de fatores que têm condicionado o serviço prestado aos passageiros. Entre esses fatores estão o aumento significativo da procura, as limitações da infraestrutura ferroviária gerida pela Infraestruturas de Portugal (IP), a inexistência de material circulante adicional para reforçar a frota e o impacto do funcionamento de outros operadores de transporte na Área Metropolitana de Lisboa.
De acordo com a empresa, os atrasos registados nos comboios são, em grande medida, consequência direta das restrições impostas à circulação ferroviária pela IP, situação que impede, neste momento, o cumprimento integral dos horários definidos. A análise dos dados relativos a 2025 revela que 38,8% dos atrasos tiveram origem em afrouxamentos da infraestrutura, nomeadamente em reduções de velocidade determinadas pelo gestor da rede. As avarias na infraestrutura representaram 10,6% das ocorrências, enquanto os problemas associados ao sistema de cantonamento corresponderam a 7,3%.
Os números divulgados apontam também para a influência de fatores externos à operadora. Os atrasos relacionados com outros operadores ferroviários, incluindo a prioridade concedida a comboios de longo curso, representaram 13,9% do total. As entradas e saídas de passageiros contribuíram com 9% para os atrasos registados, ao passo que as avarias no material circulante da Fertagus corresponderam a 7,1%.
A empresa esclarece ainda que a informação sonora transmitida nas estações e os dados apresentados nos painéis eletrónicos não são da sua responsabilidade, mas sim da Infraestruturas de Portugal, enquanto entidade responsável pela gestão da circulação ferroviária e dos sistemas de informação ao público.
No plano operacional, a Fertagus encontra-se atualmente a utilizar 17 dos 18 comboios disponíveis da sua frota, não dispondo de material circulante adicional para reforçar a oferta. Esta necessidade tem sido comunicada ao Estado desde 2023, tendo a empresa manifestado disponibilidade para encontrar soluções. Está em curso um projeto de adaptação de duas carruagens adquiridas à Renfe, destinado a acrescentar uma quinta carruagem a dois comboios, um processo que poderá prolongar-se por cerca de um ano e meio, devido aos trabalhos técnicos e aos procedimentos de homologação.
