Migração para um novo sistema informático deixou clientes da Galp com meses sem faturas.
Têm-se multiplicado os relatos de clientes da Galp Energia no Portal da Queixa e dar conta de que passaram meses sem receber faturas, e agora enfrentaram cobranças acumuladas e diversos obstáculos no contacto com o apoio ao cliente. As reclamações surgem na sequência da migração das plataformas de contratação e faturação da empresa para um sistema unificado, processo que, de acordo com as informações do Jornal de Negócios, desencadeou falhas prolongadas.
A Galp reconhece que, entre setembro e outubro, vários clientes deixaram de receber faturas, atribuindo o problema à transição tecnológica. A empresa afirma que a situação está a ser regularizada e que apenas “5% dos clientes permanecem por faturar”, embora não revele quantos utilizadores foram afetados nem confirme se a migração está totalmente concluída. Recorde‑se que a própria Galp tinha apontado o final de 2025 como prazo para a normalização do sistema.
Entre as queixas mais frequentes estão casos de contratos com faturação mensal e débito direto ativo em que os clientes passaram dois, três ou mais meses sem qualquer cobrança, apesar de enviarem leituras regularmente. Quando a faturação regressa, os consumos acumulados são agregados numa única fatura, resultando em valores elevados. Um dos exemplos relatados aponta para uma fatura de 558€, situação que levou uma cliente a considerar o processo “completamente incorreto” e alheio à sua responsabilidade. Questionada sobre o valor médio das faturas emitidas após meses de atraso, a Galp afirma não dispor dessa informação, justificando que “cada cliente é um caso particular”. A empresa também não revela quantos consumidores recorreram ao faseamento dos pagamentos. Ainda assim, garante que todos os afetados tiveram acesso a medidas mitigadoras, desde planos de pagamento previstos na regulamentação até soluções adicionais, como vouchers atribuídos pela própria empresa.
Mas as dificuldades não se limitam às cobranças acumuladas. Muitos clientes relatam problemas persistentes no contacto com o apoio ao cliente, incluindo chamadas sem resposta, longos tempos de espera e pedidos que ficam por resolver. Há também queixas sobre erros contratuais na aplicação Mundo Galp e perda de acesso a faturas após a reestruturação da plataforma digital.
A situação afeta tanto consumidores domésticos como empresas, algumas das quais manifestam preocupação com o impacto financeiro da acumulação de consumos em vários pontos de fornecimento. Há ainda quem admita ponderar a mudança de fornecedor, depois de ter escolhido a Galp com base em simulações de preços mais competitivos. E, apesar de assegurar que a maioria dos clientes já voltou a ser faturada, a Galp não avançou com um prazo definitivo para a normalização total do processo, nem divulgou o número total de consumidores afetados durante a migração.
