O EstouGrávida nasceu em Portugal para responder à falta de informação acessível sobre urgências obstétricas e reunir apoios digitais à gravidez.
Foi no verão passado que a ideia de Rui Farinha Pereira começou a tomar forma. As notícias sucediam-se com uma regularidade inquietante: grávidas a dar à luz em ambulâncias, noutros casos dentro do próprio carro, apanhadas de surpresa por uma rede de informação fragmentada que não lhes permitia saber, em tempo útil, quais as unidades de saúde com urgência obstétrica em funcionamento. Foi esse cenário – concreto, urgente e repetido – que serviu de ponto de partida para o EstouGrávida, uma plataforma digital desenvolvida em Portugal para responder a necessidades práticas que, apesar de transversais a milhares de mulheres, continuavam sem uma resposta centralizada e acessível.
A constatação foi simples, mas reveladora: existe uma quantidade enorme de informação sobre gravidez disponível na internet, mas as ferramentas verdadeiramente úteis no quotidiano encontram-se dispersas por dezenas de sítios diferentes, muitas vezes incompletas ou de difícil acesso. Calcular a data prevista do parto, acompanhar a evolução da gravidez semana a semana, preparar a mala para a maternidade ou encontrar conteúdos organizados por fase gestacional são tarefas que, na prática, obrigam as grávidas a saltar entre aplicações, fóruns e páginas web sem qualquer coerência entre si. O EstouGrávida nasce precisamente para eliminar essa dispersão.
O que o EstouGrávida oferece
O EstouGrávida cresceu a partir de uma tentativa inicial de agregar num único espaço um conjunto de ferramentas de apoio à gravidez. Hoje, a plataforma disponibiliza já várias funcionalidades em funcionamento. Entre as consideradas ativas encontram-se um contador de movimentos fetais, um cronómetro de contrações, uma calculadora da data provável do parto e um registo de consultas que permite organizar notas e próximos passos clínicos. Também já disponível está o controlo de peso ao longo da gravidez, e em estreia recente surge o diário da gravidez, que agrega numa linha temporal o peso, as consultas e a evolução geral da gestação. Está também disponível uma checklist da mala da maternidade, pensada para ser impressa e usada de forma prática.
Uma das funcionalidades centrais é a localização de urgências obstétricas próximas, que responde diretamente ao problema que motivou a criação da plataforma. A ideia é que uma grávida consiga saber, de forma rápida e georreferenciada, quais os serviços de urgência disponíveis perto de si – o tipo de informação que, nos casos noticiados no verão, fez a diferença entre chegar a tempo ou não.
Distinção entre dado oficial e conteúdo informativo
O EstouGrávida estabelece uma separação clara entre dois tipos de informação que disponibiliza. Por um lado, os dados oficiais, que provêm de entidades públicas e de conjuntos de dados de referência. Por outro, os conteúdos informativos, que correspondem a uma síntese editorial destinada a facilitar a compreensão de determinados temas, mas que não substituem em caso algum a consulta médica. Esta distinção é assumida de forma transparente pela plataforma, que reforça que todo o seu conteúdo tem carácter informativo e de apoio, e que em situação de emergência o número a marcar continua a ser o 112.
O que está a caminho
O EstouGrávida encontra-se numa fase de desenvolvimento ativo, com a aplicação para Android em testes iniciais e um conjunto de funcionalidades já planeadas para versões futuras. Entre as novidades previstas está um sistema de alertas por SMS que enviará automaticamente a localização e o contexto da emergência para contactos previamente definidos – uma funcionalidade que, a concretizar-se, poderá ter impacto direto em situações de urgência. Está também planeada a possibilidade de partilha rápida com o médico, através de um resumo exportável que inclui o registo de contrações, consultas e sinais de alarme. Para o diário da gravidez, a ideia é evoluir para um formato multimédia, com a possibilidade de adicionar fotografias e vídeos de ecografias. Futuramente também estará disponível uma área para troca de equipamentos e roupas relacionadas com a maternidade, entre as Mães e futuras Mães, bem como um diretório de serviços relacionados com a gravidez e pós gravidez, como amas, infantários, etc.
A missão declarada da plataforma é ajudar as grávidas em Portugal a aceder a informação prática, a localizar serviços próximos e a dispor de ferramentas digitais úteis no dia a dia. Num país onde as falhas na cobertura das urgências obstétricas continuam a gerar situações de risco, uma ferramenta que centralize e simplifique o acesso a essa informação pode ser, para muitas mulheres, muito mais do que uma conveniência.
Foto: freestocks/Unsplash
