O Hyundai TUCSON HEV 1.6 T-GDI AT Vanguard MY25 pretende ser um dos mais equilibrados SUV’s familiares do mercado. E até o consegue com bastante naturalidade.
Há muito que a Hyundai deixou de ser apenas uma marca associada à racionalidade e ao preço. Ao longo das últimas décadas, a fabricante sul-coreana tem consolidado a sua presença na Europa com uma aposta clara em design, tecnologia e qualidade. Modelos como o i30, o IONIQ ou o Kauai ajudaram a cimentar essa imagem, mas foi o TUCSON que assumiu, de forma clara, o papel de pilar da gama.
Lançado originalmente em 2004, o Hyundai TUCSON deu os seus primeiros passos no mercado europeu, começando por ser um SUV discreto para, nos dias de hoje, atingir um patamar de best-seller europeu. Cada nova geração do TUCSON tem trazido sempre mais ambição, mais tecnologia e uma identidade cada vez mais vincada. Nos dias de hoje, este TUCSON HEV já não é mais um outsider a tentar conquistar espaço, uma vez que já ocupa o seu lugar num dos segmentos mais competitivos do mercado.
Na versão HEV 1.6 T-GDI AT Vanguard, cedida pela Salvador Caetano para o nosso ensaio, o TUCSON não tenta reinventar a roda. Prefere antes afinar a fórmula, limar excessos e reforçar uma proposta que vive do equilíbrio entre conforto, eficiência, espaço e tecnologia.
Exterior: Design europeu com ADN sul-coreano
Do ponto de vista estético, o TUCSON continua a afirmar-se como uma proposta com identidade própria, na qual as suas linhas exteriores se aproximam cada vez mais do gosto europeu, com proporções bem resolvidas, superfícies tensas e uma presença em estrada que dificilmente passa despercebida. Ainda assim, a inspiração sul-coreana mantém-se evidente, sobretudo na assinatura luminosa e na forma como a Hyundai não tem receio de arriscar nos detalhes diferenciados dos seus modelos.
Na sua frente, são as óticas em LED, a grelha frontal trabalhada e as jantes de liga leve de 19 polegadas que compõem um conjunto moderno e robusto, sem cair em exageros. Já a traseira deste TUCSON é composta por uma assinatura led bem trabalhada, que percorre o veículo de uma ponta a outra, delimitada por 2 H, um em cada ponta. Este é um SUV familiar, mas com personalidade suficiente para não se diluir no trânsito diário, algo cada vez mais raro num segmento super saturado de propostas visualmente semelhantes.
Interior: Tecnologia bem aplicada e ergonomia sem modas desnecessárias
Se o exterior convence, é no interior que o TUCSON confirma a maturidade da proposta. A Hyundai apostou na digitalização, mas fê-lo com critério. À frente do condutor surgem dois painéis TFT de 12,3 polegadas, um para o painel de instrumentos e outro para o sistema de infoentretenimento, ambos claros, bem organizados e de leitura imediata.
O grande mérito está na forma como a informação é apresentada: simples, direta e sem menus labirínticos. Tudo está onde se espera encontrar, algo que nem sempre acontece em propostas mais recentes de alguns concorrentes. Felizmente, a marca não abdicou dos botões físicos para controlo de funções essenciais, tais como o controlo da climatização, que mantém comandos dedicados, ou o controlo de algumas funções do sistema multimédia, reduzindo-se, assim, distrações desnecessárias ao volante.
A qualidade percecionada do TUCSON é sólida, apresentando-se com bons materiais, montagem cuidada e um ambiente que privilegia o conforto. A inclusão dos bancos em pele, com regulação elétrica e aquecimento, reforçam a sensação de que este é um carro pensado para oferecer todo o conforto aos seus passageiros, tanto nas viagens curtas como nas mais longas. Em termos de espaço, o TUCSON cumpre com distinção o papel de SUV familiar, com uma segunda fila de bancos que acomoda adultos com verdadeiro conforto e uma bagageira generosa com capacidade para 616 litros fácil de utilizar. O rebatimento 40/20/40 dos bancos traseiros acrescenta versatilidade, permitindo adaptar o espaço às necessidades do dia a dia.
Ao volante: Conforto, suavidade e eficiência no mundo real
Debaixo do capô, encontramos o sistema híbrido auto-recarregável da Hyundai, que combina o motor 1.6 T-GDI a gasolina com um motor elétrico, para uma potência combinada de 215 cv e 367 Nm de binário que vai dos 0 aos 100 km/h em 8,2 segundos. Apesar destes números estarem bem longe de impressionar, este conjunto de motores e caixa de velocidade é mais do que suficiente para o tipo de utilização a que este TUCSON se destina.
Um dos elementos mais interessantes desta versão é a presença de patilhas atrás do volante que assumem diversas funções, dependendo do tipo de condução escolhido. Se escolhermos o modo de condução normal, estas patilhas permitem regular o nível de recuperação de energia quando se levanta o pé do acelerador ou em descida, tornando a condução mais eficiente e previsível, sobretudo em ambiente urbano.
Pessoalmente, a surpresa chegou ao selecionar pela primeira vez o modo Sport, pois aqui as patilhas deixam de atuar na regeneração de energia e passam a comandar diretamente a caixa de velocidades. É possível subir e descer relações manualmente, aproximando a experiência da de um modelo com um toque mais dinâmico, ainda que se continue a falar de um SUV híbrido familiar. Esta nova funcionalidade das patilhas trazida pelo modo de condução Sport em nada transforma o TUCSON num desportivo, mas acrescenta-lhe uma camada de envolvimento interessante, especialmente em estradas mais sinuosas.
No que toca a consumos, os valores em utilização real ajudam a contextualizar a proposta. Num percurso de cerca de 800 quilómetros, aproximadamente 500 km em autoestrada e 300 km em estradas urbanas e suburbanas, foi possível obter uma média geral a rondar os 6,6 l/100 km.
Já em circuito exclusivamente urbano, o TUCSON aproxima-se bastante dos valores anunciados pela marca, registando 5,8 l/100 km. Tudo isto confirma que este híbrido faz mais sentido quanto mais tempo passa fora da autoestrada, beneficiando dos momentos em que o sistema elétrico consegue intervir com maior frequência.
Veredicto: Um SUV que merece esse nome
O Hyundai TUCSON HEV 1.6 T-GDI AT Vanguard MY25 não procura ser o mais desportivo, o mais radical ou o mais tecnológico do mercado. No entanto, pretende ser um dos mais equilibrados SUV’s familiares do mercado e até que o consegue com bastante naturalidade.
Com este ensaio, concluo que este TUCSON é um SUV familiar confortável, dotado de bom equipamento, eficiente e tecnologicamente atual, sem cair em tentações de modas passageiras ou soluções pouco práticas. Mais importante ainda é que se trata de um modelo honesto da Hyundai que, em utilização real, confirma grande parte daquilo que promete na sua ficha técnica.
Em Portugal, o Hyundai TUCSON HEV 1.6 T-GDI AT Vanguard MY25 tem um preço a partir de 19.250€ + IVA, sem despesas administrativas, posicionando-se de forma competitiva face aos principais rivais.
