Agência Portuguesa do Ambiente e a Câmara do Porto acordaram a eliminação dos dois pisos superiores do Edifício Transparente.
O Edifício Transparente, uma das infraestruturas mais controversas da frente marítima do Porto, será alvo de uma demolição parcial no decorrer do ano de 2027. Esta intervenção urbanística resulta de uma articulação direta entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Câmara Municipal do Porto, visando a eliminação definitiva dos dois pisos superiores do imóvel. O propósito central da operação é extinguir a barreira visual que atualmente separa o Parque da Cidade do Oceano Atlântico, reconfigurando a paisagem costeira local.
De acordo com o que José Pimenta Machado, presidente da APA, disse ao Jornal de Notícias (acesso pago), o processo de requalificação integra-se nas diretrizes em desenvolvimento para o Plano da Orla Costeira (POC). O projeto técnico estipula que a estrutura seja cortada à cota exata do viaduto rodoviário que estabelece a ligação entre a rotunda da Anémona e a Praça de Gonçalves Zarco (Castelo do Queijo). Concluída a empreitada, o edifício conservará exclusivamente os pisos inferiores, correspondentes aos níveis zero e menos um, assumindo funções restritas de apoio de praia e serviços.
Esta nova estratégia revoga o plano anterior de desmantelamento total da obra erguida no âmbito da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. O projeto, assinado pelo arquiteto catalão Manuel Solà-Morales, representou um investimento inicial na ordem dos 7,5 milhões de euros.
A diretiva legal original, que determinava a demolição integral da infraestrutura por falta de função específica atribuída na sua génese, encontra-se enquadrada no POC Caminha-Espinho. Com sentença proferida em 2018 e entrada em vigor do plano em 2021, o documento estabelece o ano de 2028 como o limite temporal para a execução da medida por parte da APA.
A iminência desta profunda alteração estrutural instigou um clima de acentuada incerteza entre os comerciantes instalados no imóvel, que regista, à data, uma taxa de ocupação total. O piso inferior, voltado para a praia Internacional, concentra o setor da restauração, enquanto os andares superiores – agora destinados ao desmantelamento – acolhem espaços de escritórios num modelo de trabalho partilhado (coworking) desde 2021. Laborando ao abrigo de concessões de renovação anual, com o término dos contratos em vigor fixado para o mês de junho, o tecido empresarial local enfrenta uma indefinição operacional a curtíssimo prazo.
