O Dreame PM20 é um purificador de ar avançado e versátil, pensado para espaços grandes. Oferece controlo detalhado da qualidade do ar e funções extra como aquecimento e arrefecimento, embora não seja uma opção muito discreta.
O Dreame PM20 é o primeiro purificador de ar da marca Dreame e, ao contrário de muitas estreias tímidas, entra no mercado com uma proposta ambiciosa. Não é apenas um purificador tradicional que se limita a aspirar o ar da divisão e a devolvê-lo filtrado. É um equipamento grande, visualmente marcante, com funções de aquecimento e arrefecimento, sensores múltiplos, integração com aplicação móvel e um sistema de seguimento por radar que faz com que o fluxo de ar “persiga” literalmente a pessoa presente na divisão. A questão que se impõe não é se tem funcionalidades suficientes, porque tem mais do que a maioria dos concorrentes. A verdadeira questão é se tudo isto se traduz numa experiência coerente, eficaz e justificável para quem procura melhorar a qualidade do ar em casa.
Na embalagem do Dreame PM20, para além do aparelho em si, encontramos também alguns acessórios incluídos, nomeadamente o comando remoto, o manual de instruções e um pequeno pano de limpeza. Tudo isto vem organizado com cuidado dentro de uma caixa preta, com o logótipo da Dreame em letras douradas.
Logo à partida, é impossível ignorar a presença física do Dreame PM20, já que não é o tipo de equipamento que se possa esconder discretamente no canto da sala. Conta com uma estrutura cilíndrica em metal dourado, perfurada por pequenos orifícios, e uma cabeça arredondada em plástico prateado que integra a saída de ar e um pequeno ecrã frontal. A estética é moderna, com um toque futurista, e a primeira vez que o vi fez-me lembrar um pequeno robô doméstico (com a parte traseira da cabeça arredondada e a frente ligeiramente achatada que acabam por lhe dar um ar fofo). É, sem dúvida, um objeto que desperta curiosidade e acaba sempre por ser comentado por quem entra cá em casa.
O Dreame PM20 é, também, um equipamento alto e relativamente largo, com cerca de 85 cm de altura e 38 cm de diâmetro, e algo pesado, com os seus 12 kg. Mas, e graças às rodas integradas na base, consigo facilmente fazê-lo deslizar com suavidade pelo chão e, assim, transportá-lo entre divisões sem esforço, algo que acabo por fazer com bastante frequência. Apesar do tamanho e do peso, acaba por se revelar mais prático do que inicialmente poderia parecer, tornando-se um aparelho versátil no uso diário.
Também a sua qualidade de construção demonstra solidez. Nota-se que é um equipamento bem pensado, estável e feito com materiais robustos, o que me deixa bastante tranquila quando preciso de transportá-lo de uma divisão para outra. O acesso aos filtros é muito fácil e a unidade chega praticamente pronta a funcionar: basta ligar à corrente e fazer a configuração inicial na aplicação da própria Dreame, e o PM20 está pronto para começar a trabalhar.
O Dreame PM20 conta também com um painel físico que, apesar de minimalista, cumpre o essencial. Existem dois botões: um para ligar e desligar o equipamento, e outro para alternar a informação apresentada no ecrã, onde podemos consultar níveis de poluição, temperatura, humidade e o estado dos filtros. É aqui que acaba por surgir um dos primeiros pontos menos bem conseguidos neste aparelho. É que, apesar de o ecrã ser funcional e legível a curta distância, acaba por ser pequeno relativamente à dimensão da cabeça do aparelho. Fica a sensação de que poderia ter sido melhor aproveitado, sobretudo num produto desta gama, e é claramente um aspeto a melhorar numa próxima geração.
De resto, o coração do Dreame PM20 está no seu sistema de filtragem em várias camadas. Isto inclui um pré-filtro para partículas maiores, um filtro de alta eficiência do tipo HEPA (classe H13), uma camada de carvão ativado para gases e odores e um filtro catalítico específico para formaldeído. Esta combinação de filtros permite atuar tanto sobre partículas sólidas, como pólen, poeiras finas, ácaros e algumas bactérias, como sobre compostos orgânicos voláteis e odores domésticos. Sempre que faço comida frita ou grelhada, é inevitável que o cheiro fique suspenso no ar durante algum tempo. Com o Dreame PM20 ligado, noto que esse odor é absorvido de forma mais rápida, ajudando a que o ambiente volte ao normal sem ter de manter janelas abertas durante horas. O mesmo acontece quando há mais poluição no exterior e parte desse ar acaba por entrar em casa: o aparelho reage e estabiliza a qualidade do ar em pouco tempo.
Acabo por utilizá-lo diariamente, não só por causa estas situações pontuais, mas também porque tenho um animal de estimação em casa. Mesmo arejando todos os dias, gosto de ter a garantia adicional de que o ar se mantém mais neutro e equilibrado, sobretudo ao nível de odores e partículas em suspensão. Também o facto de ter um filtro dedicado ao formaldeído deixa-me mais tranquila, graças ao seu sistema que captura este composto temporariamente, e depois, através de um processo catalítico, acaba por contribuir para a sua decomposição. Este é um detalhe importante, sobretudo para casas com mobiliário recente, tintas novas ou materiais que libertem este tipo de composto ao longo do tempo.
Em termos de desempenho, o Dreame PM20 apresenta um CADR de 400 m³/h, o que o posiciona para divisões médias a grandes. Ou seja, isto significa que consegue renovar o ar de uma sala ampla de forma relativamente rápida. Em testes com libertação controlada de aerossóis domésticos, como sprays, a deteção de aumento de partículas é quase imediata, com a máquina a ajustar automaticamente a velocidade do ventilador em modo automático. Noto bem a sensibilidade dos sensores, por exemplo, quando estou a limpar a casa e utilizo um spray com álcool. Por vezes, ainda nem cheguei à divisão onde está o Dreame PM20 e já o vejo reagir: a barra indicadora no visor deixa de estar verde e passa para amarelo ou até vermelho, conforme a concentração de partículas for mais elevada. A resposta é praticamente imediata, o que demonstra que a deteção não depende apenas da proximidade direta. Depois desse pico inicial, os níveis voltam gradualmente a descer para valores considerados bons ou excelentes, normalmente em pouco tempo, consoante a quantidade de produto utilizada e a ventilação do espaço.
Para além do formaldeído, o Dreame PM20 monitoriza outros parâmetros, incluindo partículas PM1, PM2.5 e PM10 e compostos orgânicos voláteis totais (TVOC). A aplicação apresenta estes dados em tempo real, com histórico diário e semanal, e classifica a qualidade do ar em categorias como excelente, boa, moderada ou fraca. Para mim, que gosto de saber dados concretos e quer perceber o que estou realmente a respirar, esta transparência é um ponto muito positivo. A aplicação também explica o significado de cada poluente, o que é uma ótima ajuda para quem estiver menos familiarizado com estes conceitos.
Contudo, há uma limitação importante: não mede dióxido de carbono (CO2). Para algumas pessoas, especialmente em escritórios domésticos ou quartos pouco ventilados, o CO2 é um indicador essencial da qualidade do ar e da necessidade de ventilação. A ausência desta medição não compromete a eficácia na filtragem de partículas e gases comuns, mas acaba por reduzir a abrangência da monitorização.
Outra funcionalidade que me despertou muita curiosidade e que acaba por distinguir o Dreame PM20 é o modo de seguimento por radar. Através de tecnologia de deteção de movimento baseada em ondas milimétricas, o aparelho consegue ver onde estou numa área de vários metros e ajusta a direção do fluxo de ar para me acompanhar. Durante este processo, a cabeça gira suavemente, direcionando o ar purificado para mim onde quer que esteja na divisão. É um efeito visual impactante, não vou mentir, mas, mais importante que isso, funcional. Ou seja, e em vez de distribuir o ar de forma genérica, concentra-o na zona onde é mais necessário. Para quem sofre de alergias, como eu, esta “bolha” de ar limpo pode fazer diferença no conforto imediato. Também nos meses mais frios, esta funcionalidade torna-se particularmente útil, porque consigo manter o ar quente direcionado para mim, em vez de estar a aquecer a divisão de forma dispersa.
E se estiver mais do que uma pessoa na divisão, o sistema alterna suavemente entre posições, funcionando de forma semelhante a um ventilador oscilante, mas com um toque mais inteligente. Em ambientes com bastante movimento pode não acompanhar cada deslocação ao segundo, mas mantém-se eficaz na distribuição direcionada do ar. Ainda assim, é uma funcionalidade pensada para quem valoriza este tipo de tecnologia mais dinâmica; para quem prefere soluções mais tradicionais, poderá ser vista simplesmente como um extra interessante, mas não essencial.
No entanto, o Dreame PM20 não se limita à purificação do ar. Como já referi, além de aquecer, integra também a função de arrefecimento, o que o torna um equipamento utilizável ao longo de todo o ano. Permite ajustar a intensidade do fluxo entre os níveis 1 e 10 e regular a temperatura entre os 0 ºC e os 40 ºC, oferecendo uma amplitude pouco comum neste tipo de aparelho. O fluxo de ar é realmente potente e consegue ser projetado a vários metros de distância, sentindo-se facilmente mesmo em divisões maiores.
Nos dias frios, entra em ação o módulo de aquecimento cerâmico PTC, que aquece o ar de forma rápida e direcionada. Não substitui um sistema de climatização central, naturalmente, mas cria uma zona de conforto bastante eficaz. No meu caso, por causa das alergias, tenho optado por manter o Dreame PM20 ligado e praticamente deixei de utilizar o ar condicionado, o que acaba por dizer muito sobre a qualidade e a versatilidade deste equipamento.
Em termos de ruído, o Dreame PM20 apresenta níveis aceitáveis. Em velocidade baixa, o som é discreto, adequado para utilização noturna em modo conforto. Em velocidade máxima, torna-se audível, como qualquer ventilador potente, mas não atinge níveis desconfortáveis. O modo conforto reduz automaticamente a intensidade para manter um ambiente mais silencioso, sendo uma opção equilibrada para usar em quartos.
Relativamente à sua aplicação móvel, a Dreame Home, esta é uma parte central da experiência. Permite ligar e desligar o aparelho remotamente, ajustar modos, velocidades, direção do fluxo de ar, ativar aquecimento ou arrefecimento, consultar qualidade do ar em tempo real e definir horários. É através desta aplicação que podemos selecionar os diferentes modos. O modo de purificação inteligente (que é o que utilizo diariamente, praticamente como definição padrão), o modo dedicado a animais (costumo ativá-lo pelo menos uma vez por dia, normalmente de manhã, poucos minutos depois de acordar e noto logo o ambiente mais leve). Há ainda o modo conforto e o cooling mode, que fica reservado para dias mais quentes, quando preciso de circulação extra de ar sem abdicar da purificação. Com a aplicação sinto que estou a ter um controlo mais completo e uma leitura mais clara do que se está a passar com a qualidade do ar. Existe ainda a possibilidade de controlo por voz, um complemento interessante e que acrescenta alguma conveniência, sobretudo para ajustes rápidos, mas na prática acabo quase sempre por recorrer ao comando físico do Dreame PM20.
Este comando mantém a mesma estética dourada do aparelho: é fino, ligeiramente côncavo e foi claramente desenhado para encaixar de forma harmoniosa no corpo cilíndrico do PM20 através de fixação magnética. Visualmente resulta muito bem e a ideia de o ter “arrumado” no próprio equipamento é prática. No entanto, a ligação magnética poderia ser mais firme, já que com um toque mais descuidado ou ao movimentar o aparelho, o comando tende a soltar-se com facilidade.
Em termos de utilização, é muito fácil de manusear: inclui o botão de ligar e desligar e várias teclas que permitem ajustar o fluxo de ar, a temperatura e os diferentes modos de funcionamento. Para mim, que prefiro um controlo mais tradicional em vez da aplicação, o comando do Dreame PM20 cumpre perfeitamente a sua função.
No que toca à manutenção, os filtros têm custos consideráveis. O filtro de carvão ativado (99€) deve ser substituído a cada 6 a 12 meses, enquanto o filtro HEPA (119€) pode durar entre 16 e 24 meses, dependendo da utilização e da qualidade do ar. Como seria de esperar, a aplicação envia alertas quando a vida útil se aproxima do fim.
Resta-me abordar, ainda que levemente, o consumo energético, que varia conforme o modo. Em purificação normal, é comparável a outros purificadores de potência semelhante. O aquecimento, naturalmente, aumenta significativamente o consumo, como qualquer resistência elétrica. Portanto, e para quem pretende usar frequentemente a função de aquecimento, convém ponderar o impacto na fatura de eletricidade.
A sensação geral ao utilizar o Dreame PM20 é que se trata de um produto tecnologicamente avançado e eficaz na sua função principal: melhorar a qualidade do ar interior. A combinação de sensores múltiplos, filtragem robusta e resposta rápida a picos de poluição oferece segurança adicional, especialmente em contextos de alergias, asma ou casas com animais de estimação.
Pela dimensão e pelo conjunto de funcionalidades que oferece, acredito que faz mais sentido em divisões médias ou grandes e para quem gosta de ter um maior controlo sobre a qualidade do ar em casa. Não é um equipamento básico; é pensado para quem valoriza personalização, dados detalhados e versatilidade no dia a dia. No meu caso, acabou por se integrar naturalmente na rotina cá de casa e hoje já me custa imaginar o dia a dia sem ele.
O maior senão? Provavelmente o seu preço. No site espanhol da Dreame, o Dreame PM20 está neste momento à venda por 899€. Porém, conseguem adquiri-lo por 649€ mais 32,98€ de portes através da Amazon FR, o que ainda assim deixa o valor abaixo dos 700€, uma diferença significativa face ao site oficial da fabricante. Para a questão dos filtros, fiquem a saber que a loja espanhola da Dreame oferece 20% de desconto na primeira compra a quem subscrever a newsletter…

Este produto foi cedido para análise pela Dreame
