A CP apresentou plano 2026-2032 para liderar alta velocidade, expandir clientes e renovar pessoal, mas depende de decisões governamentais sobre contratos e governação.
A CP delineou um plano estratégico para os anos de 2026 a 2032, centrado em cinco eixos principais: assumir a liderança nos serviços de alta velocidade em Portugal, alargar a clientela, assegurar material circulante fiável, renovar os quadros de pessoal com trabalhadores mais jovens e elevar a produtividade global. Estes objetivos contam com a transformação digital e a inovação como fio condutor. No entanto, o plano, ao qual o Público (acesso pago) teve acesso, realça duas incertezas cruciais que escapam ao controlo da empresa e dependem de orientações políticas do Governo.
Uma dessas incertezas prende-se com o papel da CP no mercado de alta velocidade, incluindo o modelo de governação – se atuará como unidade de negócio interna, empresa do grupo, parceria pública internacional ou consórcio com privados nacionais ou estrangeiros. A outra refere-se à eventual extensão do atual Contrato de Serviço Público até 2034, o que abriria portas a subconcessões em linhas suburbanas de Lisboa e Porto, já anunciadas pelo executivo, ou à sua não renovação, levando a concursos públicos internacionais em 2029 nos quais a própria CP poderia participar.
Para concretizar este rumo, a CP identifica fatores decisivos como o aval governamental para entrar na alta velocidade, capacidade de endividamento para adquirir novos comboios, saída do perímetro orçamental do Estado para maior autonomia e cumprimento rigoroso pela Infraestruturas de Portugal das obras previstas no Programa Nacional de Investimentos 2030. A alta velocidade é vista como “motor” para tornar o comboio mais apelativo, com ligações rápidas e confortáveis que, articuladas com serviços convencionais como o Alfa Pendular, Intercidades e Regionais, fomentariam sinergias, economias de escala e maior coesão territorial.
De acordo com a mesma fonte, o plano não dá detalhes sobre o material para a via estreita do Vouga e ignora perspetivas como Trás-os-Montes, Vale do Sousa ou Viseu. Também não aborda a retoma de regionais no Alentejo, o regresso a Sines ou Coruche, nem melhorias na linha do Leste, limitando-se em 2032 a manter as atuais duas ligações diárias por sentido com unidades menos antigas.
