Cozido à Portuguesa no Páteo do Bairro do Avillez: um regresso à tradição, mas com alma contemporânea

- Publicidade -

O Cozido à Portuguesa, servido religiosamente no Páteo do Bairro do Avillez às quintas e domingos, é a resposta certa para quem procura autenticidade sem folclores desnecessários.

O Chef José Avillez reforçou a aposta na cozinha tradicional portuguesa, agora com um cozido à portuguesa servido no famoso Páteo, no Bairro do Avillez. Este é, como se sabe, o epicentro de um ecossistema gastronómico que inclui o Belcanto, o vegetariano Encanto, o Maré em Cascais, o Cantinho do Avillez, a Tasca Chic, o Jacaré, o Barra Cascabel e a internacional Tasca no Dubai. A iniciativa do cozido, às quintas e domingos, nasce da vontade de valorizar a identidade nacional e responde à procura por experiências autênticas, numa Lisboa onde o número de visitantes e turistas não para de crescer.

Ao cruzarmos o limiar do Bairro – a zona da Taberna, de ambiente descontraído e dedicada a petiscos portugueses -, somos transportados para uma espécie de recriação epocal, da qual passamos a fazer parte: um ambiente bem português, onde a nostalgia e a poesia se encontram. O espaço evoca um bairro castiço e luminoso, coroado por candelabros que pendem do teto amplo do antigo convento. Aliás, não é a nossa primeira vez aqui. Nas paredes, as janelinhas de madeira com portadas abertas evocam recantos da memória de outros tempos: molduras com fotos de pessoas reais, entes desaparecidos, que personificam a alma da Lisboa século vintista, e detalhes que nos fazem sentir, verdadeiramente, dentro de um bairro antigo. É um cenário pensado para cruzar vivência urbana e memória coletiva, cuja arquitetura se centra – como a palavra “pátio” indica – numa ampla zona convergente onde incide a luz calma do exterior, mas a sob a proteção da estrutura transparente de uma grande claraboia.

De resto, o espaço sempre teve como missão celebrar a cozinha portuguesa num ambiente acolhedor, com luz natural e decorações que evocam a memória coletiva de Lisboa.

A decisão de incluir um ícone como o Cozido, no Páteo, não deve ser um acaso. Reflete a importância de preservar a autenticidade da cozinha portuguesa perante as tendências de uniformização global que vivemos, ao memso tempo que levamos o que de melhor fazemos a todos os cantos do mundo, servido um ótimo Cozido à Portuguesa a todos os que visitam o espaço. Com frequência, os turistas vêm em busca de sabores únicos.

A refeição começou com um couvert servido com um pão rústico acompanhado de azeitonas e manteiga. Seguiram-se duas entradas que achámos irresistíveis e refletem a diversidade do menu: o Tártaro de Atum com soja picante e os Peixinhos da Horta com sal de limão e molho tártaro.

De sublinhar que o Tártaro de Atum não é para brincadeiras. Suavizado pelo puré de abacate e mini tomate cherry, oferece um verdadeiro desafio ao paladar dos que são mais sensíveis ao picante; mas, se não forem, então aproveitem e peçam, porque é realmente muito bom. Depois, quanto aos Peixinhos da horta, um clássico bem português, como sabem, devemos dizer que são, de facto, deliciosos, graças ao seu polme leve e seco.

O nosso assistente de mesa aconselhou, e bem, um branco para acompanhar estas delícias. Veio um vinho da casa, o José Avillez Nieport, um Douro Doc, com características que foram bem sublinhadas: seco, fresco, mineral. Foi, realmente, a combinação perfeita para o tártaro fresco do dia.

Mas vamos ao que nos trouxe aqui. O momento principal chega com a introdução do Cozido à Portuguesa (35€ por pessoa, ao almoço, todas as quintas e domingos).

É uma experiência que vale a pena. Com jeitos de ritual, o Chef Executivo aproxima-se e verte sobre a travessa um molho rico com 15 horas de cozedura e apuramento. A descrição, só por si, revela a exigência deste cozinhado, na escolha da matéria-prima: a travessa compõe-se de carnes alentejanas fumadas em madeira, incluindo a aba de novilho, a mãozinha de vitela, entrecosto, barriga de porco e a orelha (que integra a bochecha e a faceira), além do focinho e do pernil. Nos enchidos que decoram tudo aquilo, a seleção mantém-se expressiva e rigorosa: morcela de couro branco, farinheira de couro branco, morcela de couro preto e chouriço de carne de couro branco.

E, como não podia deixar de ser, o acompanhamento é outra sinfonia, esta de legumes, também bem “à portuguesa”. Acompanham o prato a couve-lombardo, couve-coração, cenoura, nabo e batata ágria; esta é uma batata, para quem não sabe, amarelada por dentro e de casca mais fina, e a sua escolha também não é ao acaso: ela aguenta a cozedura prolongada sem se desmanchar e absorve o sabor do caldo.

Por falar em caldo, é a chave para valorizar este cozido e que, de certo modo, o define, graças à longa preparação. Mesmo o arroz de farinheira, macio e suculento, um acompanhamento essencial, foi batizado, seguindo o conselho do Chef, com um bocadinho de caldo, para hidratar e ganhar mais sabor ainda e consistência. Tudo isto fica, portanto, ligado pelo caldo, feito com muita perseverança!

Para escoltar a robustez deste prato delicioso de carnes, da mesma marca do branco, o Vinho Tinto José Avillez, que se revelou o parceiro ideal.

Este bom momento culminou num maravilhoso e suculento Pijaminha – Um Sonho de Sobremesa, ou seja, uma seleção surpresa do chef de pastelaria que é a solução ideal para quem quer várias sobremesas servidas de uma só vez. Servido em suportes de madeira a diferentes níveis, veio para a mesa um pomposo arranjo de doces onde brilham o Mil-folhas de Pastel de Nata, uma interpretação leve do Chef José Avillez sobre o clássico lisboeta, que nunca provámos assim; a Pavlova do Bairro, que combina merengue estaladiço com uma irresistível mousse de morango e espuma de queijo-creme; a Avelã, um clássico do Chef José Avillez (gelado de avelã, espuma de avelã, avelã ralada e flor de sal servidos num copo, em camadas generosas); uma fresquíssima Taça de frutos vermelhos; o “Maracujá” com sorvete de coco; e ainda o Pudim de Mel e Azeite, com um toque de flor de sal e um fio de azeite virgem extra, servido com um sorbet refrescante de limão e o detalhe das ervas frescas.

Em suma, o Cozido à Portuguesa, servido religiosamente, como dissemos, às quintas e domingos, é a resposta certa para quem procura autenticidade sem folclores desnecessários – como tudo no Bairro, de resto.

A experiência no Páteo prova que o trunfo está na verdade do produto; como o património gastronómico se pode tornar uma aposta do presente com o respeito que a nossa herança merece.

Para reservas, podem ligar para o 215830290 ou reserva mesa através do site do Bairro do Avillez.

Graça Pacheco
Graça Pacheco
Licenciada em literaturas clássicas e com um doutoramento em estudos literários, sou colaboradora e fã do Echo Boomer. Escrever, para mim, é um ofício desafiante mas também um hobby. Também adoro gastronomia, gosto de explorar novas tecnologias e sobretudo, adoro cinema e TV.
- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados