O novo aeroporto de Lisboa contará com a participação de construtoras portuguesas, num investimento liderado pela Vinci Airports.
O novo aeroporto de Lisboa, batizado Luís de Camões, contará com uma forte participação de construtoras portuguesas. Nicolas Notebaert, presidente da Vinci Airports e diretor-geral de concessões do grupo francês, disse em entrevista ao Negócios (acesso pago) que a prioridade da Vinci é o mercado local, garantindo que empresas nacionais como Teixeira Duarte, Alves Ribeiro e Mota-Engil terão um papel ativo no projeto.
A expansão do terminal 1 do Aeroporto de Lisboa, atualmente liderada pela Mota-Engil em consórcio, exemplifica essa estratégia. Segundo Notebaert, mesmo que a Vinci participe financeiramente, será sempre em parceria com empreiteiros portugueses, reforçando a ideia de que todos os grupos nacionais têm lugar em futuros projetos, não apenas os grandes nomes citados.
O investimento no novo aeroporto é descrito como o maior da Vinci na sua rede global, superando projetos anteriores, como o comboio de alta velocidade entre Paris e Bordéus. Comparado com outras obras internacionais, a construção de raiz em Lisboa representa o maior projeto de infraestrutura na Europa Ocidental do grupo. A preparação financeira já começou, com a Vinci a planear mecanismos de financiamento complexos, ajustados às flutuações das taxas de juro, garantindo solidez económica e operacional para um projeto desta dimensão.
Em Portugal, o grupo investiu cerca de 800 milhões de euros nos últimos 13 anos em aeroportos nacionais, sendo 2025 o ano de maior investimento até ao momento, com 130 milhões. O reforço da pista do Aeroporto do Porto, inaugurado recentemente com um investimento de 50 milhões, faz parte de um programa mais amplo para aumentar capacidade e atrair mais voos. O desenvolvimento do Porto serve também como contrapeso ao congestionamento de Lisboa, permitindo que o tráfego seja equilibrado entre os aeroportos e que o potencial das cidades seja desbloqueado de forma sustentável.
Quanto ao novo aeroporto, a ANA, detida pela Vinci, já avançou com a primeira fase do estudo de impacto ambiental e mantém-se dentro dos prazos. O projeto técnico e financeiro será conduzido em paralelo com a avaliação ambiental, considerada crítica para a obtenção das licenças necessárias. A otimização do projeto permitiu reduzir custos sem comprometer capacidade ou qualidade, adaptando o aeroporto às necessidades da aviação moderna.
Até lá, a Vinci procura garantir que os passageiros tenham mais voos diretos para destinos nacionais e internacionais, diminuindo a pressão sobre Lisboa e distribuindo de forma mais equilibrada o tráfego aéreo. A segunda fase de aumento de capacidade do atual aeroporto está planeada para o período entre 2027 e 2030, com um investimento ligeiramente superior aos 250 milhões atualmente em curso. O objetivo é maximizar a eficiência operacional sem criar constrangimentos artificiais.
