A aprovação da Comissão Europeia marca um passo decisivo na criação da joint venture entre CTT e DHL eCommerce, com impacto direto nas redes de recolha e entrega em Portugal e Espanha.
A Comissão Europeia aprovou a joint venture entre os CTT – Correios de Portugal e a DHL eCommerce, parceria que as empresas já tinham anunciado a 19 de dezembro de 2024. A autorização de Bruxelas corresponde à principal condição prévia que dependia da luz verde de uma autoridade reguladora externa e concentra-se na componente de concorrência da operação.
Com esta aprovação concedida, CTT e DHL passam agora à fase seguinte do processo, que inclui a observância das condições habituais de fecho da transação e a eventual autorização ao abrigo do Regulamento da União Europeia relativo às Subvenções Estrangeiras (Foreign Subsidies Regulation, FSR). O calendário disponibilizado pelas partes indica que a conclusão formal da operação está prevista para maio de 2026.
A estrutura da aliança prevê que a CTT Expresso assuma a exploração das operações locais da DHL eCommerce em Portugal, tornando‑se responsável em exclusivo pela recolha, tratamento e distribuição de encomendas DHL eCommerce no território nacional. Em Espanha, o modelo desenhado aponta para uma divisão de funções: a CTT Express, filial espanhola da CTT Expresso, concentra‑se nos serviços orientados para o consumidor final (B2C), enquanto a DHL eCommerce Espanha se foca nas atividades dirigidas a empresas (B2B).
A parceria implica ainda uma troca de participações entre os grupos. A CTT Expresso adquire integralmente a DHL eCommerce Portugal, integrando‑a na sua estrutura. O grupo CTT entra, por outro lado, no capital da DHL eCommerce Espanha com uma participação de 25%, enquanto a DHL eCommerce entra na CTT Expresso com uma fatia equivalente de 25%. Ambos os grupos podem, dentro de limites definidos, aumentar respetivamente as suas participações até ao máximo de 49%, mantendo‑se a estrutura de joint venture e não se configurando um controlo exclusivo por qualquer das partes.
Do ponto de vista económico, a operação deverá gerar receitas combinadas da ordem de mil milhões de euros junto das duas empresas, abrangendo os mercados de Portugal e Espanha. A rede de recolha e de entrega resultante, articulada em torno das duas joint ventures, terá capacidade de processar diariamente mais de um milhão de envios, o que coloca a solução entre as redes de dimensão mais abrangente da Península Ibérica.
Os mercados português e espanhol, em conjunto, são considerados o quarto maior mercado europeu de comércio eletrónico e de entrega de encomendas, o que justifica a aposta estratégica de ambas as empresas na consolidação da sua presença ibérica. A ligação entre a rede nacional portuguesa, a operação da CTT Express em Espanha e a estrutura de distribuzione da DHL eCommerce permite, segundo as partes envolvidas, aumentar a eficiência operacional, reduzir custos unitários e melhorar o alcance geográfico dos serviços, tanto para clientes B2B como B2C.
A aprovação da Comissão Europeia foi concedida sem objeções significativas, o que significa que a operação não foi considerada suscetível de limitar de forma indevida a concorrência no mercado interno. O parecer da autoridade de concorrência centra‑se nos fluxos de encomendas intracomunitários e na forma como a partilha de infraestruturas entre as duas redes poderá afetar alternativas existentes, concluindo, no entanto, que não há risco de poder de mercado excessivo nas áreas críticas do setor.
