Cinemas em Portugal registam menor número de espectadores desde 1996

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Dados do ICA revelam quebra de 8,2% no público e 3,9% nas receitas de bilheteira em 2025, apesar do aumento de estreias e de filmes portugueses.

O cinema em Portugal registou em 2025 o menor número de espectadores desde 1996, excluindo o período da pandemia, com uma quebra considerável face ao ano anterior. Os dados divulgados pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) indicam que as salas acolheram 10,9 milhões de espectadores, menos 8,2% do que em 2024. Para um número tão baixo temos de voltar atrás no tempo, precisamente até 1996, ano em que foram contabilizados 10,4 milhões de espectadores.

Como seria de esperar, as receitas de bilheteira também acompanharam a tendência de decréscimo, totalizando 70,5 milhões de euros, o que representa uma descida de 3,9% em relação a 2024. Apesar desta diminuição, o número de estreias em sala aumentou, passando de 393 filmes em 2024 para 406 em 2025, bastante demonstrativo de que um maior número de filmes em exibição não significa mais bilhetes vendidos.

Entre estes, 54 eram produções portuguesas, correspondendo a uma quota de 13,3%. No entanto, a procura pelo cinema nacional continuou baixa: apenas 229.455 espectadores assistiram a filmes portugueses, menos de metade do registado em 2024, quando o cinema português somou 536.146 entradas, naquela que é um número muitíssimo preocupante.

No total, a audiência do cinema português representou apenas 2,1% do público em salas no ano passado, enquanto a receita de bilheteira deste segmento caiu para 1,7%, cerca de 1,2 milhões de euros.

Quanto às preferências do público, Lilo e Stitch liderou a lista com 667.000 espectadores, seguido de Minecraft com 503.000 e Zootrópolis 2 com 428.000. A única obra lusófona presente entre os dez filmes mais vistos foi o brasileiro Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, com 385.000 entradas. Entre as produções portuguesas, O Pátio da Saudade, de Leonel Vieira, foi a mais vista, reunindo 69.000 espectadores, um número muito inferior ao de 2015, quando O Pátio das Cantigas tinha atraído 608.000 pessoas. Seguiram-se Lavagante, de Mário Barroso, com 21.794 bilhetes vendidos, e O Lugar dos Sonhos, de Diogo Morgado, com 17.931 entradas.

Para esta preocupante situação do panorama do cinema em Portugal, também não ajuda os constantes encerramentos de sala que têm ocorrido nos últimos tempos. Nos últimos meses, várias salas em diferentes regiões do país fecharam, incluindo complexos da Cineplace em Portimão, Guia, Funchal, Seixal, Guarda e Caldas da Rainha, e da NOS Lusomundo Cinemas no Porto, Faro, Viseu e Lisboa. Até o maior multiplex do país, no Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, viu 9 das suas 20 salas desafetadas, justificando-se a medida com questões de viabilidade económica.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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