Requalificação do Centro de Experimentação Agrária de Tavira traz novas infraestruturas, laboratórios e sistemas de rega, num investimento de mais de dois milhões de euros.
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve concluiu um investimento superior a dois milhões de euros na requalificação do Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT), no âmbito do projeto Polo de Inovação de Tavira, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A intervenção, desenvolvida ao longo dos últimos dois anos, permitiu modernizar uma das mais antigas infraestruturas públicas de apoio à investigação agrícola da região e reforçar o papel do centro como espaço de experimentação, inovação e transferência de conhecimento no setor agroalimentar.
O CEAT, com cerca de 30 hectares, tem sido desde há várias décadas uma referência na conservação de variedades tradicionais do Algarve e no estudo da biodiversidade agrícola mediterrânica. No terreno do centro encontram-se extensas coleções de fruteiras autóctones – entre as quais centenas de variedades de amendoeira, figueira, romãzeira, nespereira, vinha e alfarrobeira -, bem como espécies específicas do território algarvio, como o pêro de Monchique. A instituição funciona como um banco vivo de recursos genéticos vegetais e desempenha um papel relevante na valorização da Dieta Mediterrânica, reconhecida como património cultural imaterial.
O investimento, enquadrado nos projetos Polo de Inovação de Tavira (PRR‑C05‑i03‑P‑000037) e Agro + Eficiente – Valorização de recursos genéticos tradicionais, novas culturas e gestão de água de rega em contexto de alterações climáticas, contou ainda com verbas complementares do orçamento da CCDR Algarve. A intervenção teve como ponto de partida a necessidade de modernizar infraestruturas agrícolas e laboratoriais envelhecidas, atualizar os sistemas de apoio à investigação e reforçar o equipamento técnico disponível.
Entre as ações realizadas destaca‑se a renovação da rede principal de rega, agora adaptada a critérios de maior eficiência hídrica, e a instalação de novos sistemas de controlo para ensaios com diferentes regimes de irrigação. Foram igualmente criadas parcelas experimentais destinadas a estudos sobre dotações de água em pomares de variedades tradicionais, bem como áreas de teste para novas culturas, como a pitaia. As coleções de figueiras e citrinos foram ampliadas, e a casta algarvia Negra Mole – relevante para a vitivinicultura regional – recebeu reforço varietal e experimental.
O edifício principal do centro foi alvo de uma requalificação estrutural e funcional: substituição de coberturas, caixilharias e portas, pintura integral e instalação de novo mobiliário. Foram também introduzidos sistemas automáticos de deteção de incêndio, iluminação de emergência e equipamentos de segurança. Está ainda em curso a preparação de um projeto de eficiência energética destinado a melhorar o desempenho ambiental do conjunto.
O laboratório do CEAT foi modernizado com a aquisição de equipamentos destinados à análise de solos, águas e produtos agrícolas. Entre eles incluem‑se uma hotte laboratorial, um espectrofotómetro UV‑Vis, um condutivímetro e um bloco de digestão, ferramentas essenciais para a realização de ensaios sobre fertilidade dos solos e qualidade das águas de rega.
A componente operacional do centro foi igualmente reforçada com a compra de maquinaria agrícola, equipamentos técnicos e materiais de apoio à experimentação. A infraestrutura informática recebeu melhorias que permitem melhor gestão dos dados científicos e partilha de resultados com entidades parceiras. Paralelamente, decorreram trabalhos de manutenção e reordenamento das parcelas experimentais, com a poda e renovação de pomares, reorganização de talhões e remoção de estruturas obsoletas.
A coleção de fruteiras tradicionais, considerada um dos principais patrimónios agronómicos do Algarve, foi alvo de ações de conservação específicas, assegurando a continuidade de um acervo único de variedades regionais. Com estas intervenções, o Centro de Experimentação Agrária de Tavira reforça a sua função como núcleo de investigação aplicada e de valorização da agricultura mediterrânica, integrando de forma mais estruturada a rede nacional de inovação agrícola.
Foto: Miguel Pires
