Polémico assistente de IA Grok começou a chegar aos carros da Tesla

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A atualização de software 2026.2.6 traz a IA da xAI aos veículos Tesla. O Grok permite gerir a navegação, interpretar alertas e personalizar a interação.

A Tesla iniciou hoje a distribuição do assistente de inteligência artificial Grok para o mercado europeu, integrado na versão de software 2026.2.6, numa atualização gratuita que abrange os Model S, Model 3, Model X e Model Y. Desenvolvido pela xAI, o sistema foi concebido para responder a questões sobre temas variados, desde física e matemática a filosofia, utilizando uma linguagem que procura assemelhar-se ao discurso humano.

Para lá das capacidades de conversação, o Grok atua diretamente sobre as funcionalidades do veículo. O condutor pode solicitar verbalmente a definição de destinos, alterações de rota ou a localização de pontos de interesse. O sistema funciona também como um manual técnico interativo, esclarecendo dúvidas sobre manutenção e interpretando os alertas do painel de instrumentos em tempo real.

A funcionalidade é operada através do volante ou do ecrã tátil e permite personalizar a “persona” da inteligência artificial. As opções variam entre perfis utilitários, como “Tutor de idiomas”, e modos de entretenimento ou específicos para crianças. A Tesla incluiu ainda modos restritos a maiores de 18 anos, com personalidades denominadas “Argumentativo” ou “Desequilibrado”.

Para utilizar o assistente é necessária uma subscrição de Conectividade Premium ou ligação Wi-Fi. A empresa garante que o processamento das conversas é anónimo e desvinculado da identidade do veículo.

É de relembrar, no entanto, que o Grok tem estado envolvido em polémica, nomeadamente devido à péssima gestão de conteúdos na rede social X (a plataforma anteriormente conhecida como Twitter) na criação e disseminação de imagens sexuais manipuladas, incluindo conteúdos envolvendo mulheres e crianças. Algo que levou a presidente da Comissão EuropeiaUrsula von der Leyen, a admitir que a União Europeia está preparada para intervir ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais caso a X  não atue de forma eficaz para travar a utilização do Grok nestas questões.

Em declarações a um grupo restrito de jornalistas europeus em Bruxelas, Ursula von der Leyen admitiu estar “chocada” com o facto de uma plataforma tecnológica como uma rede social tão influente permitir que os utilizadores “dispam digitalmente mulheres e crianças online”, classificando essa prática como “impensável”. A presidente sublinhou também que os danos causados por deepfakes sexuais são reais e advertiu que a União Europeia não irá confiar a proteção de menores e a exigência de consentimento nas empresas tecnológicas sediadas nos Estados Unidos. “Se não agirem, agiremos nós”, afirmou.

A posição de Bruxelas enquadra-se na aplicação da Lei dos Serviços Digitais, que entrou em vigor em agosto de 2024 e tornou a União Europeia a primeira jurisdição a impor obrigações abrangentes às grandes plataformas digitais. A legislação exige a remoção célere de conteúdos ilegais, a adoção de medidas de mitigação de riscos e a proteção reforçada de menores. As plataformas classificadas como de muito grande dimensão, com mais de 45 milhões de utilizadores ativos mensais na União Europeia, ficam sujeitas a deveres adicionais de avaliação e controlo de riscos sistémicos, e as empresas que violem estas regras podem enfrentar coimas proporcionais à sua dimensão económica. Apesar da oposição expressa por Washington e do apoio da administração norte-americana às grandes tecnológicas, a Comissão Europeia já avançou com multas ao abrigo deste novo quadro legal.

A pressão sobre a plataforma X não se limita ao espaço europeu. No Reino Unido, a Ofcom, regulador independente das comunicações e responsável pela aplicação do Online Safety Act, já abriu uma investigação formal para apurar se a plataforma falhou na prevenção da disseminação de conteúdos ilegais, incluindo material de abuso sexual de menores e imagens íntimas não consensuais geradas através do Grok. A investigação avalia, entre outros aspetos, os mecanismos de prevenção, a rapidez na remoção de conteúdos e as medidas de proteção de menores.

Fora da Europa, países como a Malásia e a Indonésia tornaram-se os primeiros a bloquear o acesso ao Grok, alegando falta de medidas e de salvaguardas eficazes para impedir a criação e difusão de deepfakes sexuais. As autoridades indonésias apontam riscos graves para os direitos de imagem, a privacidade e a segurança das vítimas, enquanto que o regulador malaio aponta para casos repetidos de utilização do chatbot na criação de conteúdos explícitos envolvendo mulheres e crianças.

Ignorando as acusações sobre a criação de material ilegal e questionável, a plataforma X defendeu-se apenas ao afirmar que as funcionalidades de geração e edição de imagens do Grok estariam limitadas a utilizadores pagos, algo que já foi invalidado através de relatos que afirmam ser possível gerar imagens por utilizadores não subscritores.

Por cá, recordar que o Parlamento aprovou a proposta para limitar acesso de menores às redes sociais. Com a aprovação em plenário, o projeto segue agora à comissão competente, onde serão analisadas eventuais alterações e contributos de especialistas.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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