O grupo britânico Arrow Global planeia expandir os seus ativos turísticos em Portugal, incluindo resorts de golfe, hotéis e centros residenciais, com investimentos até 2028.
A Arrow Global, grupo britânico já entre os maiores operadores turísticos em Portugal, anunciou um investimento de 1,6 mil milhões de euros no país nos próximos cinco a seis anos, focado exclusivamente nos ativos que já possui, disse João Bugalho, presidente executivo (CEO) da Arrow Global em Portugal, ao Expresso (acesso pago).
Atualmente, a Arrow Global detém ativos turísticos avaliados em cerca de 2,6 mil milhões de euros, incluindo empreendimentos em Vilamoura, Troia, resorts de golfe no Algarve como Palmares e Monte Rei, bem como o complexo da Aroeira, na região de Lisboa, e Vale Pisão, em Santo Tirso.
Desde 2021, a empresa tem vindo a adquirir e reagrupar ativos que foram vendidos em partes ao longo dos anos, incluindo a concessão da marina e das praias, cinco campos de golfe e os hotéis Dom Pedro, Hilton e Anantara. E até o restaurante de Luís Figo na marina foi adquirido, que será reformulado para servir como referência na restauração local.
Vilamoura continua a ser o principal foco de investimento da Arrow Global, com nove projetos em desenvolvimento para 2026, incluindo a reabertura do centro equestre, cujo investimento de 23 milhões de euros permitirá receber grandes competições internacionais com capacidade para mil cavalos e até quatro mil espectadores. A empresa inaugurou uma nova marina para grandes iates em 2024 e planeia criar ainda uma zona comercial e de restauração a partir de 2026, com um investimento estimado de 10 milhões de euros. Está também em curso a renovação dos hotéis Dom Pedro, com a abertura de um deles sob a marca Hyatt Regency ainda este ano.
Para além de Vilamoura, a Arrow Global mantém projetos significativos noutros pontos do país. No complexo da Aroeira, na Grande Lisboa, prevê-se um investimento total de 200 milhões de euros, incluindo 230 unidades residenciais e 138 quartos de hotel, com destaque para a parceria com a marca italiana Missoni, que assinará o mobiliário turístico do resort. Os dois campos de golfe da Aroeira foram atualizados e são agora oficiais da PGA Tour. O plano de desenvolvimento prevê concluir o projeto até 2028, com um investimento de 79 milhões de euros previsto para 2026.
No Algarve, o resort de Palmares, em Lagos, receberá um hotel de 173 quartos e 133 residências com a marca JW Marriott, enquanto em Vale Pisão, em Santo Tirso, o grupo pretende acrescentar 216 unidades residenciais aos 140 já existentes.
Mas há mais. Por exemplo, a Arrow Global adquiriu, em janeiro do ano passado, o Monte Rei Golf & Country Club, resort situado em Vila Nova de Cacela, no Algarve, conhecido pelo campo de golfe assinado por Jack Nicklaus, mas o projeto ainda se encontra numa fase inicial de planeamento. O resort ocupa uma área bruta total de construção de 330.000 m2, dos quais 52.000 m2 já estão desenvolvidos, incluindo lotes vendidos para futuras moradias. O objetivo passa por criar um hotel de luxo e residências de alto padrão, com um total de 88.000 m2 de construção concluídos até 2030, seguido por uma segunda fase de expansão que poderá acrescentar mais 190.000 m2.
Já o Troia Resort prepara-se para receber uma grande reformulação, com destaque para o campo de golfe, cujo investimento ascende a nove milhões de euros. O empreendimento, recentemente integrado no perímetro da Arrow Global após a compra à Sonae Capital concluída em 2025, está a ser alvo de intervenções profundas destinadas a aumentar o seu valor.
Além do golfe, a Arrow Global planeia para 2026 a renovação de dois hotéis do complexo, o Aqualuz e o Editorial by the Sea, que passarão a operar sob marcas internacionais. Embora a propriedade dos hotéis não pertença ao grupo, a empresa detém o contrato de gestão e coordena as conversações com os proprietários, fundos da Oxy Capital, para proceder à requalificação. O resort inclui ainda a marina e o casino, que, juntamente com o golfe, constituem os principais ativos sob controlo da Arrow Global.
O grupo ficou ainda com a concessão do transporte por ferry e com a gestão de 40.000 m2 de área para desenvolvimento de imobiliário turístico, cuja construção está prevista nos próximos três a quatro anos.
