Empresas da Arábia Saudita veem Portugal como destino estratégico, mas apontam vários obstáculos no acesso a oportunidades.
Empresas sauditas têm vindo a mostrar interesse crescente nos grandes investimentos em Portugal, mas apontam falhas no acesso à informação sobre concursos e projetos públicos. A ideia é deixada por Alwalid Albatan, presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita–Portugal, que esta semana liderou uma delegação de 15 decisores políticos, empresários e investidores numa visita ao país. Segundo o responsável, existe apetência clara para áreas como a alta velocidade ferroviária, concessões portuárias e o novo aeroporto, mas a ausência de mecanismos claros de divulgação e acesso às oportunidades acaba por afastar potenciais investidores.
Em entrevista ao Negócios (acesso pago), Alwalid Albatan sublinha que o problema não está na duração dos processos, mas na dificuldade em saber quando e como as empresas podem concorrer. Diz que, ao contrário do que acontece na Arábia Saudita, onde existe uma plataforma centralizada com todos os projetos públicos, calendários e regras de candidatura, em Portugal não há um ponto único de acesso à informação
Na sua perspetiva, o principal desafio passa por criar condições que permitam aos investidores estrangeiros identificar oportunidades, compreender os requisitos e participar nos concursos.
Além da questão da informação, Alwalid Albatan aponta a necessidade de uma estratégia mais ativa por parte do Estado português na atração de investimento internacional. Dá como exemplo o modelo saudita, onde existem programas específicos de apoio a empresas estrangeiras e um acompanhamento próximo por parte do Governo. Defende que, se Portugal reforçar esse tipo de iniciativas, o investimento externo poderá duplicar em poucos anos, não apenas vindo da Arábia Saudita, mas de vários mercados.
Ainda assim, as relações comerciais entre Portugal e a Arábia Saudita têm vindo a ganhar expressão. Em 2024, as exportações portuguesas atingiram 186,44 milhões de dólares, enquanto as importações somaram 131,35 milhões. Do lado português, os principais produtos exportados foram mobiliário, veículos, lacticínios, maquinaria, madeira, eletrónica e produtos farmacêuticos. Em sentido contrário, chegaram sobretudo plásticos, ferro, aço e produtos químicos inorgânicos.
