A 8.ª edição dos PLAY destaca artistas como Calema, NAPA, Sara Correia, C4 Pedro, Karetus, Gisela João e Bárbara Bandeira, com múltiplas nomeações que refletem a diversidade da música feita em Portugal em 2025.
Hoje, dia 18 de março, foi dia de conhecer todas as novidades sobre a oitava edição dos Play – Prémios da Música Portuguesa, agendada para o dia 23 de abril no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, marcando a continuidade de um evento que já atribuiu 91 galardões a 310 artistas nomeados ao longo da sua história.
Miguel Carretas, diretor-geral da Audiogest, entidade organizadora do evento, sublinhou o crescimento do mercado musical e a resiliência do setor face a desafios recentes, identificando a inteligência artificial como um risco e, simultaneamente, uma oportunidade para a indústria cultural. O responsável destacou ainda a necessidade de expansão da música portuguesa além-fronteiras para superar as limitações de um mercado interno de dez milhões de pessoas, apontando o ano de 2026 como um período de sementeira para a internacionalização do setor.
Entre os artistas associados à Universal Music Portugal, Calema e NAPA são, em particular, os nomes que mais vezes aparecem nas nomeações. Os Calema entram em várias categorias, incluindo a de Vodafone Canção do Ano, com o tema “Amar pela Metade”, a de Melhor Grupo – categoria que já tinham vencido na edição anterior – e a de Melhor Álbum, graças ao trabalho Voyage, que consolidou a sua trajetória como um dos grupos mais estáveis do panorama nacional. Por seu lado, os NAPA figuram também em Vodafone Canção do Ano com “Deslocado”, concorrendo ainda a Melhor Grupo e a Artista Revelação, marcas de um percurso que se afirmou rapidamente junto do público e da crítica.
No âmbito das categorias individuais, Sara Correia volta a estar nomeada para Melhor Artista Feminina, pelo segundo ano consecutivo, num ciclo em que combinou uma agenda de concertos preenchida, com atuações em Portugal e no estrangeiro, e a gravação de um quarto álbum de estúdio intitulado Tempestade, que reuniu boa parte do trabalho apresentado em espetáculos ao vivo. A sua presença nas nomeações resulta de um ano em que passou por grandes salas, incluindo uma tarde esgotada na MEO Arena, e reforçou a posição de referência entre as vozes femininas da música portuguesa contemporânea.
Também C4 Pedro aparece destacado, com o tema “Sem Querer” nomeado para o Prémio Lusofonia, uma categoria que pretende valorizar a ligação entre os diferentes países onde se fala português e a troca de influências musicais entre esses territórios. A escolha deste projeto sublinha a forma como a discografia portuguesa se insere num espaço lusófono mais amplo, com artistas que circulam entre diferentes mercados e públicos.
Os Karetus voltam a surgir nas nomeações, desta vez na categoria de Melhor Videoclipe, um espaço em que se destacaram nos anos anteriores e que confirma o cuidado que dedicam à componente visual da sua música. A banda, já conhecida por universos estéticos muito próprios, reforça a ideia de que o vídeo se tornou um elemento central na forma como o público consome e interpreta os seus temas. Já Gisela João recolhe duas nomeações, uma para Melhor Álbum e outra para Melhor Álbum de Fado, com o disco Inquieta, que evidencia a forma como a cantora de fado articula uma linguagem tradicional com uma sonoridade mais contemporânea, num trabalho que tem sido seguido de perto por crítica especializada.
Em paralelo, a 8.ª edição dos PLAY coloca ainda Bárbara Bandeira como uma das figuras centrais da edição. A cantora regressa à categoria de Melhor Artista Feminina, depois de ter vencido esse prémio em 2024 e 2025, o que traduz a continuidade de uma carreira marcada por sucessos radiofónicos e vendas consistentes. Ainda em 2023, o seu tema “Onde Vais”, em parceria com Carminho, foi premiado como Vodafone Canção do Ano, antecipando em parte o reconhecimento contínuo que a acompanha. Este ano, a sua presença alarga‑se à área visual, com o videoclipe de “Não Gosta” nomeado para Melhor Videoclipe, um projeto realizado por Ruben do Valle que reforça a dimensão estética do seu trabalho.
Os Karetus voltam também a ser evocados na categoria de Melhor Videoclipe, desta vez com o tema “Moleirinha”, que junta Isabel Silvestre a Vozes de Manhouce, Conan Osíris e Júlio Pereira. Trata‑se de um projeto coletivo que combina diferentes tonalidades vocais e estéticas, traduzidas num vídeo que reforça a reputação do grupo como um dos principais criadores de narrativas visuais ligadas à música portuguesa. A presença repetida dos Karetus nesta categoria sublinha a importância que a indústria e a audiência atribuem à componente audiovisual nos prémios PLAY.
Na mesma edição, Miguel Luz surge como nomeado em Artista Revelação, uma categoria que reconhece o impacto de novas carreiras no panorama musical português. O cantor, que começou a afirmar‑se no público através de conteúdos humorísticos em plataformas digitais, tem vindo a consolidar‑se como artista de música, com um segundo álbum de originais intitulado Ganga Com Ganga, editado em março. O disco representa um ponto de viragem no seu percurso, com uma sonoridade que se aproxima de um indie rock de contornos pop e de uma energia próxima do post‑punk, aliando temas mais pessoais e introspetivos à sua escrita anterior, de carácter mais satírico. Alguns singles como “Amor de Ganga”, “Bomba‑Relógio” e “Pessoas Normais” marcaram o arranque deste novo capítulo, que se reflete agora na nomeação para Artista Revelação.
Os Vizinhos, banda de Évora, somam três nomeações nesta edição dos PLAY: Revelação, Melhor Banda e Vodafone Música do Ano, com o tema “Pôr do Sol”. O tema alcançou o estatuto de quíntupla platina, ocupou o primeiro lugar do Top 50 do Spotify em Portugal durante 16 semanas e consolidou a banda como um dos fenómenos recentes da música feita em Portugal. Ao longo do ano, os Vizinhos editaram apenas três singles a solo, todos eles distinguindo‑se em termos comerciais: “Pôr do Sol” (quíntupla platina), “Pobre Ex‑Namorado” (dupla platina) e “Casar é Para Esquecer” (platina), equilibrando o sucesso digital com uma forte presença ao vivo.
A transmissão da cerimónia será assegurada pela rede de canais da RTP, abrangendo a RTP1, RTP África, RTP Internacional, as emissões radiofónicas da Antena 1, Antena 2 e Antena 3, bem como as plataformas digitais RTP Play e RTP Palco. A apresentação da cerimónia ficará a cargo de Filomena Cautela.
