O A390 marca uma nova fase para a Alpine, combinando herança desportiva, plataforma elétrica e tecnologia de condução avançada.
A Alpine apresentou o A390 como um modelo que quer combinar herança desportiva, eletrificação e tecnologia aplicada à condução com um grau de sofisticação pouco habitual no segmento. Na sessão de apresentação que decorreu esta segunda-feira, e onde o Echo Boomer esteve presente, o foco esteve na versão GT, mas também na leitura mais musculada do GTS, num discurso que procurou mostrar engenharia, posicionamento e ambição de marca no mesmo pacote.
O A390 GT é descrito como um automóvel de 400 cavalos, 661 Nm de binário e velocidade máxima limitada a 200 km/h. Mais do que os números absolutos, a Alpine quis sublinhar a forma como esses valores são entregues, com uma distribuição de peso de 49% à frente e 51% atrás e com uma arquitetura tipo skateboard, na qual a bateria fica integrada no piso do carro, ao centro do chassi. A marca apresenta essa solução como decisiva para o equilíbrio dinâmico do modelo e para a sua resposta em condução mais exigente.
A base técnica do A390 assenta em três motores, o que faz dele o primeiro Alpine com quatro rodas motrizes. No GT, a repartição referida é de 133,3 cavalos no eixo dianteiro e 266,6 cavalos no eixo traseiro; no GTS, cada motor vê a sua potência aumentar em 23,4 cavalos, elevando o total para 470 cavalos. O motor da frente é síncrono com rotor bobinado, enquanto os motores traseiros são síncronos com ímanes permanentes. A marca usa essa diferenciação para mostrar que o trabalho desenvolvido não se limitou a eletrificar uma plataforma existente, mas procurou afiná-la para uma utilização desportiva mais séria.
Essa ambição prolonga-se no chassis. Há braços de suspensão em alumínio, um berço igualmente em alumínio para a unidade motriz, discos de travão de 365 mm com pinças de seis pistões e uma suspensão dianteira hidráulica. O objetivo declarado é manter conforto suficiente para uso real, sem abdicar da precisão e da eficácia que a Alpine considera indispensáveis num modelo desta natureza. A direção é descrita como muito direta e precisa, e a travagem como progressiva, precisamente para fugir à sensação mais artificial que muitos condutores associam aos elétricos.
A tecnologia é outro dos pilares do A390. O Alpine Torque Vectoring é apresentado como um sistema que observa em tempo real o comportamento de cada roda e ajusta a entrega de binário para corrigir subviragem e melhorar a agilidade em curva. Já o Torque Brake Control surge como uma ajuda em piso escorregadio, assegurando que o binário seja disponibilizado da forma mais eficiente possível.
Também os pneus foram pensados para o modelo, com a marca a referir desenvolvimentos específicos com a Michelin. A ideia é a mesma: cada elemento do automóvel foi afinado para servir uma proposta de desempenho coerente, com agilidade e motricidade a aparecerem como prioridades centrais. Em vez de uma leitura puramente eletrificada e genérica, o A390 é apresentado como um carro que tenta preservar o carácter desportivo da Alpine por via da engenharia.
Também a Alpine Telemetrics foi apresentada como uma ferramenta importante para quem gosta de condução desportiva. O sistema fornece dados em tempo real sobre discos de travão, bateria, pressão dos pneus e outros parâmetros, e permite exportar a informação para o telemóvel, com funções de análise e coaching pensadas para evoluir a condução de forma progressiva. Há ainda desafios e instruções sobre travagem, trajetória e pontos de atenção em curva, apresentados quase como um jogo de aprendizagem.
A Alpine admite que o reconhecimento da marca continua a ser um desafio, sobretudo junto dos mais jovens. Ainda assim, a herança da marca surge no discurso como uma vantagem clara, e o A390 aparece como um modelo pensado também para o mercado empresarial, onde a relação entre tecnologia, imagem e preço pode pesar de forma decisiva.
Quanto a preços, o GT é anunciado por 67.500€ com IVA, ou 54.878€ sem IVA, sendo que esta versão começa já a ser entregue. O GTS, com 470 cavalos, é tratado como uma proposta de valor especialmente competitiva dentro do segmento premium, onde a Alpine quer afirmar-se sem se limitar a um discurso de exclusividade. Os preços começam nos 78.000€ e as primeiras unidades serão entregues lá mais para o final do ano.
