A Aldi vai também abrir uma nova plataforma logística em Santo Tirso, mas somente em 2030.
A Aldi prevê aplicar cerca de 500 milhões de euros no mercado português até 2035, numa nova fase de expansão que deverá acrescentar 90 lojas à rede existente e incluir a inauguração de uma plataforma logística em Santo Tirso.
O plano confirma a continuidade da estratégia de crescimento do grupo alemão no retalho alimentar nacional, num contexto económico adverso, marcado pela persistência da inflação e pelos custos elevados das matérias-primas, energia e transportes. Segundo disse fonte da empresa ao Expresso (acesso pago), o modelo de negócio baseado na eficiência e no conceito discount permite atenuar o impacto da subida de preços, garantindo “ajustes responsáveis e controlados” e preservando a relação entre qualidade e preço.
Desde 2021, a insígnia duplicou o número de lojas em Portugal, alcançando 161 unidades no final de 2025, depois de ter passado de 80 lojas em 2020 para 161 cinco anos depois. Hoje, dia 6 de março, a Aldi abriu uma nova loja em Amarante, distrito do Porto, sendo também a primeira inauguração do ano em território nacional, o que fez com que passe a contar com 162 lojas no país. O objetivo agora é atingir as 200 lojas até 2030 e chegar às 250 cinco anos depois.
O investimento dos últimos anos foi mantido a um ritmo médio de 100 milhões de euros anuais, um esforço que permitiu duplicar o número de trabalhadores, que passou para cerca de 2500 e se aproxima agora dos 2600 colaboradores. O crescimento futuro seguirá proporções semelhantes, com cerca de 5 milhões de euros aplicados em cada nova loja e a criação média de 20 postos de trabalho por unidade.
Presente em Portugal desde 2006, a Aldi iniciou a sua operação no Algarve, aproveitando o dinamismo do turismo e a familiaridade dos consumidores estrangeiros com a marca. Até 2020, o grupo cresceu de forma gradual, sobretudo a sul, com uma média de cinco aberturas anuais. A partir de 2021, a estratégia mudou: a empresa avançou para o Centro e, mais recentemente, para o Norte. Atualmente, a região Norte é considerada estratégica pela empresa e concentra 41 lojas, 23 das quais na área metropolitana do Porto. Em 2025, cerca de metade das novas unidades abriram a norte e a retalhista pretende dar continuidade a essa tendência em 2026.
A expansão foi acompanhada de um reforço logístico. Na Moita, a empresa construiu um dos maiores entrepostos da sua rede europeia, destinado a abastecer as lojas do Sul e do Centro. Há também um centro de distribuição em Valongo, que serve temporariamente a região Norte, enquanto decorrem os preparativos para a futura plataforma de Santo Tirso, prevista para 2030. Esta infraestrutura deverá reforçar a capacidade de abastecimento da cadeia na metade norte do país, alinhada com o plano de crescimento da rede de lojas.
O formato das lojas segue um modelo padronizado em toda a Europa, com cerca de 1.500 m2 de construção e 1.000 de área de venda. No entanto, a entrada nos centros urbanos de Lisboa e do Porto levou a empresa a adaptar-se. Entre os formatos que a Aldi tem vindo a explorar destaca-se o conceito urban city ou city, com lojas de menor dimensão – até 600 m2 -, localizadas em zonas centrais e pensadas para compras rápidas, com operação ajustada a horários e logística específicos. Lisboa é, por agora, o único palco desta vertente urbana: existem já sete espaços deste tipo (seis numa primeira fase), incluindo o da Avenida da Liberdade, e o grupo antecipa continuar a investir neste tipo de loja, adaptando-se à realidade urbana, embora sem revelar planos concretos de novas aberturas.
