A EasyJet Portugal considera que o Aeroporto de Lisboa opera no limite e que reforçar a capacidade sem resolver os atrasos agravaria os problemas para os passageiros.
O responsável máximo da EasyJet em Portugal considera que o Aeroporto de Lisboa não reúne, neste momento, condições para suportar um aumento significativo de tráfego aéreo sem que antes sejam resolvidos problemas persistentes na operação diária. Para José Lopes, a discussão sobre mais voos só faz sentido depois de garantida uma maior fiabilidade do funcionamento da infraestrutura.
Em declarações à Lusa, o dirigente afirmou que a Portela trabalha há demasiado tempo num regime de saturação, o que se reflete numa elevada incidência de atrasos. José Lopes aponta o aeroporto Humberto Delgado como um dos casos mais problemáticos na Europa em matéria de pontualidade, defendendo que a recuperação da previsibilidade dos horários é essencial. Na sua perspetiva, o impacto das obras só será positivo se se traduzir numa melhoria concreta do desempenho operacional.
O gestor referia-se ao plano de expansão atualmente em desenvolvimento, que inclui intervenções já concluídas no Terminal 2 e uma fase seguinte destinada a aumentar gradualmente o número de movimentos por hora. A meta passa por subir dos atuais 38 para um máximo de 45 movimentos até 2028, um crescimento que, segundo a EasyJet, deve ser cuidadosamente gerido.
Apesar de reconhecer que esse aumento permitirá acomodar mais tráfego, José Lopes sustenta que a introdução de novos voos num sistema fragilizado poderá agravar os constrangimentos existentes. Para a companhia, a experiência do passageiro é diretamente afetada quando os horários deixam de ser cumpridos de forma consistente, com atrasos sucessivos a tornarem-se quase estruturais.
No que respeita à operação da EasyJet em Portugal, a companhia registou em 2025 um total de 96 rotas de e para aeroportos nacionais, transportando mais de 10,5 milhões de passageiros. A taxa média de ocupação situou-se nos 92%, uma das mais elevadas da rede da transportadora.
