A aquisição da CECONOMY, avaliada em cerca de 2,2 mil milhões de euros, recebeu luz verde de Bruxelas, mas com condições para impedir que subsídios chineses prejudiquem a concorrência europeia.
A Comissão Europeia aprovou a aquisição da CECONOMY pela gigante chinesa JD.com, que permite assim que um dos maiores grupos de comércio eletrónico da China assuma o controlo das cadeias MediaMarkt e Saturn. Esta decisão foi anunciada a 3 de novembro, depois de uma investigação aprofundada sobre os apoios financeiros recebidos pela JD.com por parte do Governo chinês.
O negócio não é propriamente novo e já tinha sido anunciado em julho de 2025, com uma oferta de 4,60€ por ação, avaliando a CECONOMY em aproximadamente 2,2 mil milhões de euros. A JD.com conseguiu garantir a aceitação da oferta correspondente a 59,8% do capital, enquanto a família fundadora do grupo alemão, através da Convergenta, irá manter uma participação de 25,35%. No total, os dois parceiros ficarão com cerca de 85,2% do capital da CECONOMY.
A aquisição significa que a JD.com passe a operar ainda mais no espaço europeu, passando a controlar um grupo que opera mais de 1.000 lojas físicas em 11 países, através das marcas MediaMarkt, Saturn e MediaWorld, e que emprega aproximadamente 50.000 trabalhadores.
União Europeia impõe condições para impedir vantagens de subsídios chineses.
Apesar da aprovação, o caminho até aqui não foi fácil. Por exemplo, em maio deste ano, a Comissão Europeia iniciou uma investigação ao abrigo do Regulamento relativo às Subvenções Estrangeiras, depois de identificar possíveis vantagens concorrenciais resultantes dos apoios financeiros atribuídos à JD.com pelo Governo chinês.
De acordo com a investigação, a JD.com recebeu financiamentos em condições preferenciais, incentivos fiscais e subvenções diretas, que poderiam permitir ao grupo financiar as suas operações europeias em condições mais favoráveis do que as dos seus concorrentes. Bruxelas identificou ainda o risco de estes apoios serem utilizados para sustentar uma política de preços agressiva, prejudicando outros retalhistas.
Para conseguir a aprovação, a JD.com comprometeu-se a realizar todas as transações financeiras com a CECONOMY em condições de mercado, impedindo que a cadeia europeia beneficie de financiamentos artificialmente vantajosos. Para além disso, terá de permitir que outros retalhistas utilizem os seus serviços de armazenamento, logística e tecnologia nas mesmas condições oferecidas às lojas MediaMarkt e Saturn. Estas obrigações terão uma duração de dez anos e o seu cumprimento será acompanhado por uma entidade independente, sob supervisão da Comissão Europeia.
Agora, com a última autorização regulatória garantida, a CECONOMY confirmou que a conclusão da aquisição deverá acontecer nos próximos dias, com as marcas MediaMarkt e Saturn a deverem manter-se, tal como a atual estrutura de gestão do grupo alemão. A JD.com, do seu lado, devera utilizar a sua experiência na distribuição e no comércio eletrónico para melhorar as operações das lojas, incluindo os serviços de entrega e a oferta de produtos.
E o que acontece à antiga MediaMarkt em Portugal?
Apesar da dimensão desta aquisição, a operação não terá consequências diretas para as antigas lojas MediaMarkt portuguesas, uma vez que em setembro de 2023 a Fnac Darty finalizou a aquisição da MediaMarkt em Portugal, num negócio que incluiu as dez lojas físicas, a operação online e aproximadamente 450 trabalhadores. Posteriormente, em outubro de 2025, a MediaMarkt Portugal passou a chamar-se Darty, numa alteração que marcou o fim da presença da marca alemã no nosso país.
Assim, enquanto as lojas MediaMarkt e Saturn de outros países europeus se preparam para passar para o controlo da JD.com, a operação portuguesa continuará a pertencer ao grupo francês Fnac Darty, ficando de fora das consequências esta aquisição.
