A Ponte Luiz I foi inaugurada em 1886 para responder ao crescimento entre Porto e Gaia. 140 anos depois, mantém circulação rodoviária, pedonal e de metro.
A Ponte Luiz I completa este sábado 140 anos. Inaugurada a 31 de outubro de 1886, a estrutura metálica sobre o Douro continua a assegurar uma das travessias mais utilizadas entre o Porto e Vila Nova de Gaia, após um século e meio de alterações profundas na mobilidade urbana.
Na altura da inauguração, a nova ponte representava uma resposta à pressão crescente sobre a ligação entre as duas margens. A Ponte Pênsil, em serviço desde 1843, já não acompanhava o aumento da população e da atividade urbana, o que tornava necessária uma travessia com maior capacidade e outra escala construtiva.
O processo para a construir arrancou em 1880, com o lançamento de um concurso para uma ponte metálica de dois tabuleiros. A proposta vencedora foi apresentada pela Société de Willebroek e tinha como autor o engenheiro Théophile Seyrig, que tinha colaborado com Gustave Eiffel e participado na construção da Ponte D. Maria Pia. As obras começaram em 1881 e a ponte foi inaugurada cinco anos depois, a 31 de outubro de 1886. O tabuleiro inferior só ficaria concluído em 1888.
A obra impôs-se pela dimensão e pela solução técnica. Com cerca de 395 metros de comprimento, dois tabuleiros em níveis diferentes e um grande arco metálico, a Ponte Luiz I tornou-se um dos principais marcos da engenharia do século XIX. O arco central, com um vão teórico de 180 metros e uma flecha de 52 metros, passou a ser um dos elementos mais identificáveis da estrutura e uma presença fixa na paisagem junto ao Douro.
A abertura ao público alterou também as condições de circulação entre o Porto e Gaia. Já no dia seguinte à inauguração entrou em vigor um sistema de portagens, em que a passagem de peões custava cinco réis. A cobrança foi assegurada, ao longo do tempo, por diferentes administrações e só terminou a 1 de janeiro de 1944.
Nas décadas seguintes, a ponte acompanhou as mudanças nos transportes e foi adaptada a novas formas de mobilidade. Atualmente, o tabuleiro superior é usado pelo Metro do Porto e por peões, enquanto o inferior recebe tráfego rodoviário e circulação pedonal. Para além dessa função quotidiana, a estrutura adquiriu uma relevância histórica e patrimonial que ultrapassa a sua utilidade como ligação entre as duas cidades.
A Ponte Luiz I e os dois pilares que restam da antiga Ponte Pênsil estão classificados como Monumento Nacional desde 1982. Em 1996, a ponte passou a integrar, juntamente com o Centro Histórico do Porto e o Mosteiro da Serra do Pilar, o conjunto inscrito pela UNESCO na Lista do Património Mundial.
