Spotify quer transformar remixes de fãs em dinheiro para os músicos

- Publicidade -

A Spotify vai abrir espaço aos remixes com IA, mas os artistas vão ter a última palavra sobre a utilização das suas músicas.

A Believe e o Spotify assinaram um acordo de licenciamento para a futura ferramenta da plataforma dedicada a remixes e versões de temas musicais criados com recurso a inteligência artificial. O acordo permitirá que artistas e editoras representados pela Believe e pela TuneCore, que optem por participar, possam beneficiar de novas possibilidades criativas e de receitas, ao mesmo tempo que os fãs poderão reinterpretar músicas de que gostam.

A ferramenta foi concebida especificamente para remixes e covers com recurso a IA, e não para a criação de obras inteiramente novas. A ideia é permitir que os utilizadores criem novas versões de canções existentes, com a garantia de que os artistas e os titulares dos direitos das obras originais recebem uma compensação. As reproduções destes remixes gerarão royalties para os artistas participantes e para os detentores de direitos associados às músicas originais.

O serviço deverá estar disponível como um extra pago para assinantes do Spotify Premium, criando uma fonte adicional de receitas para além daquela que artistas e compositores já obtêm através da plataforma. Segundo as informações divulgadas, cada remix publicado no Spotify terá uma ligação à faixa e ao artista originais, o que poderá encaminhar os ouvintes para descobrir ou voltar a ouvir a música que inspirou a nova versão.

A medida surge num contexto em que os remixes feitos por fãs já são comuns, muitas vezes sem qualquer compensação para artistas ou compositores. A ferramenta da Spotify pretende enquadrar essa atividade num ambiente licenciado, atribuindo-lhe regras, identificação da obra original e distribuição de receitas.

A adesão será totalmente voluntária. A Believe indica que a participação respeita os princípios que a empresa definiu em 2023 para o uso responsável da inteligência artificial: consentimento, controlo, compensação e transparência. Para preservar o controlo dos artistas sobre a utilização da sua música, a Believe e a TuneCore aplicarão um processo de consentimento em duas etapas. Primeiro, os artistas decidem se querem ser considerados para programas relacionados com IA. Apenas depois lhes será apresentada a parceria com a Spotify, ficando com a possibilidade de aceitar ou recusar a participação.

Para além das oportunidades criativas e comerciais, as duas empresas sublinham a necessidade de proteger os artistas e a integridade do ecossistema musical numa altura em que a IA se torna mais presente na produção e distribuição de música. A Spotify refere que tem reforçado medidas contra spam, usurpação de identidade e práticas enganosas, incluindo a exclusão de conteúdo gerado por IA e de baixa qualidade das recomendações. A plataforma também pretende ajudar os ouvintes a perceber quando existe um artista real por trás de uma música e dar mais controlo aos artistas sobre o que aparece nos seus perfis.

Os utilizadores poderão ainda ver quando um artista revelou o uso de inteligência artificial numa faixa. A Spotify indica que está a desenvolver formas adicionais de tornar essa informação mais fácil de encontrar. A Believe acolhe estas iniciativas, bem como esforços mais alargados no setor das plataformas digitais de música para proteger artistas em diferentes fases das suas carreiras e garantir um ambiente de descoberta musical mais fiável.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados