Porto tem um novo espaço de arte imersiva dentro de um edifício histórico

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Um antigo edifício do Funicular dos Guindais transformou-se num espaço de arte digital e imersiva no Porto. A primeira exposição é dedicada à Amazónia.

A Casa das Máquinas abriu no Porto como um novo espaço dedicado à arte digital e imersiva. Instalado no antigo edifício que albergava as máquinas do Funicular dos Guindais, o projeto apresenta a Amazonia Immersive Art, uma exposição que reúne obras de mais de uma dezena de artistas contemporâneos ligados à Amazónia.

O espaço ocupa um edifício histórico associado ao funicular projetado por Raul Mesnier e inaugurado há 135 anos. Depois da desativação do transporte, o imóvel acolheu o atelier do escultor Henrique Moreira. A reabilitação e ampliação foram desenvolvidas pelo gabinete do arquiteto Nuno Valentim, que procurou preservar a identidade do edifício, adaptando-o às exigências técnicas de exposições digitais e experiências imersivas.

A arquitetura integra-se na proposta expositiva. As paredes em granito, a verticalidade dos espaços e a entrada de luz natural foram tidas em conta na conceção do percurso, criando ambientes distintos ao longo da visita. A Casa das Máquinas procura, assim, estabelecer uma relação direta entre o património industrial, a cidade e as obras apresentadas.

A Amazonia Immersive Art já tinha sido apresentada em Belém, no Brasil, onde recebeu mais de 30.000 visitantes. A mostra no Porto constitui a primeira itinerância internacional do projeto. A exposição parte da Amazónia para abordar a floresta, as comunidades que aí vivem e as questões ambientais, sociais e culturais que condicionam o seu presente e futuro.

A direção artística é das artistas Aíla e Roberta Carvalho. Entre os nomes presentes estão Ailton Krenak, primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras, Olinda Silvano, tecelã e muralista do povo shipibo-konibo, do Peru; e Paulo Desena, indígena da etnia Desana. As obras combinam pintura, vídeo e fotografia, apresentadas através de projeções a 360º.

Na exposição, o visitante é colocado perante narrativas sobre a Amazónia construídas por artistas do próprio território. As diretoras artísticas contrapõem essa perspetiva às representações históricas produzidas a partir da Europa, associadas a relatos, mapas, gravuras e crónicas que descreveram a região como um espaço vazio e exótico. O projeto propõe uma leitura contemporânea, feita a partir da experiência e do trabalho dos artistas amazónicos.

Para além da exposição, o edifício integra o Guindais Garden Bar & Restaurant, inaugurado a 26 de maio. O restaurante e terraço panorâmico resulta de uma parceria entre a Real Companhia Velha e o Grupo Romando e está instalado na encosta dos Guindais, com vista sobre o rio Douro e a Ponte Luís I.

A Casa das Máquinas prevê ainda acolher eventos culturais, ativações artísticas e iniciativas privadas, selecionadas de acordo com a identidade do espaço. A programação deverá articular criação artística, património, tecnologia e experiências sensoriais, alargando a atividade do edifício para além das exposições.

Os bilhetes para a Amazonia Immersive Art estão à venda, com preços de 12€ para crianças e 18€ para adultos.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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