O bacalhau está 25% mais caro face ao ano passado devido ao corte nas quotas de pesca. Indústria aposta no aproveitamento integral para conter custos.
O preço do bacalhau registou um agravamento homólogo de 25%, uma subida que ameaça pesar substancialmente nos orçamentos familiares para a ceia de Natal. Um exemplar de tamanho médio, com cerca de dois quilos e meio a três quilos, atinge atualmente valores de venda ao público situados entre os 65 e os 70€.
A escalada de preços decorre de um desequilíbrio acentuado no mercado, marcado por uma redução da oferta disponível perante a manutenção de uma procura elevada. A quebra nas quantidades disponíveis resulta diretamente de um corte severo nas quotas de pesca atribuídas, situando-se agora no patamar mais baixo dos últimos 35 anos. No Mar de Barents, a quota atual está fixada nas 285.000 toneladas, um valor que contrasta de forma expressiva com o registado há três décadas e meia, quando atingia cerca de um milhão de toneladas.
Perante esta restrição da matéria-prima, a indústria transformadora do setor tem procurado conter novos aumentos nos custos de aquisição, pelo menos até ao período natalício. Contudo, o setor enfrenta a pressão adicional de outros encargos operacionais que escapam ao seu controlo direto, designadamente o custo dos combustíveis, a eletricidade e todas as despesas inerentes ao funcionamento das fábricas.
Para responder a este cenário adverso e viabilizar preços mais equilibrados para os consumidores, a indústria viu-se forçada a adaptar as linhas de produção e a eliminar todo e qualquer desperdício. O processo de transformação passou a incorporar soluções de aproveitamento integral do peixe que anteriormente não eram habituais, recorrendo a postas médias e postas do rabo.
Entre os novos formatos comerciais contam-se as migas de bacalhau sem pele e sem espinha, bem como embalagens com lombos de calibre significativamente menor, cortados com um a um centímetro e meio de aba, garantindo uma oferta mais diversificada no mercado de retalho.
