Há algum tempo que os sinais da iminente falência estavam no horizonte. E agora confirma-se, restando saber qual será o futuro da Vibes & Beats.
Em fevereiro de 2022, o Echo Boomer debruçou-se sobre uma situação relacionada com a Vibes & Beats: a empresa entrava em incumprimento financeiro.
Tudo começou em novembro de 2022, quando a promotora lançou uma campanha que tinha como objetivo alavancar financeiramente a empresa para que pudesse desenvolver atuar sem constrangimentos de tesouraria em 2023. Na altura, foi pedido um investimento de 250.000€, montante facilmente alcançado graças a 1.375 investidores.
Quando uma empresa avança com uma campanha na GoParity, tem depois um plano de pagamentos a cumprir, com juros, perante os investidores. No fundo, como se fosse um empréstimo. Nesta primeira campanha, tudo correu como planeado, e um ano após o financiamento, todas as amortizações foram pagas.
Ainda em 2022, neste caso no último mês do ano, a Vibes & Beats avançou com outra campanha com o mesmo objetivo, sendo que, desta vez, pedia 150.000€, montante angariado graças a 1.211 investidores. E tal como na primeira campanha, todos os investidores receberam o capital investido e juros.
Já em agosto de 2023, a promotora pediu 150.000€ para co-financiar a preparação e produção da 2ª edição do Rock à Moda do Porto. E tudo foi devidamente pago em agosto de 2024, um ano após o financiamento da campanha.
No entanto, os problemas começaram pouco depois, uma vez que a Vibes&Beats teve mais campanhas na GoParity, mas não as liquidou, ou seja, não foi capaz de pagar aos investidores a tempo.
Por exemplo, em novembro de 2023, foi aberta uma campanha com o objetivo de co-financiar a produção da World Tour 2023/2024 da artista internacional Laura Pausini, que deu um concerto na MEO Arena em fevereiro de 2024. A Vibes&Beats pediu 150.000€ de financiamento, valor alcançado graças a 770 investidores, e tinha de amortizar esse valor, com juros, no prazo de um ano, ou seja, teve até novembro de 2024 para liquidar os pagamentos. Tal não aconteceu.
O mesmo sucede para a campanha Vibes&Beats VI, na qual a promotora pedia 125.000€ para co-financiar a produção da 6ª edição do North Festival, que decorreu de 24 a 26 de maio de 2024 no Parque de Serralves. O valor pretendido foi financiado a 14 de dezembro de 2023, logo a promotora tinha o prazo máximo de avançar com os pagamentos, e devidos juros, até dezembro de 2024. Mas entrou em incumprimento. Houve, ainda, outras campanhas cujos prazos de pagamento de juros não foram respeitados.
Contas feitas, a Vibes&Beats angariou, através da GoParity, 1.345.000€, mas está com muitas dificuldades em efetuar pagamentos a investidores. Aliás, isso confirmou-se esta semana com uma notícia dada pelo Jornal de Negócios, que afirma que a promotora entrou em falência com uma dívida de 10,5 milhões de euros distribuída por 146 credores, tendo já aderido ao Processo Especial de Revitalização (PER).
Entre os credores constam várias instituições bancárias, nomeadamente a Caixa Geral de Depósitos, o Santander, o BCP, o Montepio, o Crédito Agrícola e o BPI. A lista inclui ainda entidades públicas e institucionais como a Segurança Social, o Turismo de Portugal, o Palácio de Cristal e a SIC, além de vários credores individuais, como é caso dos financiadores das campanhas de crowdfunding da GoParity.
Recorde-se que a promotora, responsável pelo North Festival, não conseguiu organizar uma edição do festival em 2025, mas regressou este ano, com uma edição na Cidade Desportiva da Maia, onde constavam nomes como The Cure, Snow Patrol e Europe, entre outros. A edição, porém, ficou marcada por críticas de sobrelotação e por relatos de falhas de segurança no recinto, muito por culpa do primeiro dia, esgotado devido à presença dos The Cure.
A situação da empresa coloca agora em causa o futuro dos eventos que tinha associados ao seu nome, incluindo o North Festival e o Rock à Moda do Porto.
