A Vodafone garante que a Sport TV não é um buraco financeiro, mas admite que a distribuição do canal gera perdas de dezenas de milhões de euros por ano.
A discussão em torno da rentabilidade da Sport TV voltou a dividir as principais operadoras portuguesas. Desta vez, foi a Vodafone a afastar a leitura mais pessimista avançada pela NOS, embora sem esconder que a exploração comercial do canal desportivo continua a pesar negativamente nas contas de quem o disponibiliza aos clientes.
Luís Lopes, responsável máximo da Vodafone em Portugal, respondeu esta quinta-feira às palavras de Miguel Almeida, CEO da concorrente, que tinha descrito a Sport TV como um negócio profundamente deficitário. Para o líder da Vodafone, essa caracterização não corresponde à realidade da participação acionista na empresa. Na sua perspetiva, a quota no capital do canal não gera retorno, mas também não é a origem das perdas – o problema está noutro ponto da cadeia.
A Vodafone, a NOS e a MEO ocupam duas posições distintas no mesmo negócio. Detêm, cada uma, 25% do capital da Sport TV, aos quais se somam os 25% da Olivedesportos. Para além disso, são as responsáveis por colocar o canal à disposição dos seus clientes. É nesta segunda atividade que Luís Lopes identifica o desequilíbrio: segundo o gestor, todas as operadoras perdem “largas dezenas de milhões” de euros por ano, porque as receitas obtidas com a venda do canal aos subscritores não cobrem o montante pago à Sport TV pelos direitos de distribuição.
O administrador enquadrou o problema numa leitura mais ampla do mercado audiovisual nacional. Na opinião de Luís Lopes, o dinheiro gerado pelo desporto em Portugal não chega para suportar o investimento exigido pelos direitos de emissão. Os contratos ligados à principal competição de futebol do país estariam, nesse sentido, avaliados acima do que o mercado consegue devolver.
A origem desta situação, na análise do CEO da Vodafone, está nas escolhas feitas pelas telecomunicações há cerca de dez anos, quando decidiram assumir o controlo das transmissões dos encontros da Liga. Mesmo assim, Luís Lopes evitou apontar o dedo à gestão que então dirigia a empresa. Para o responsável, avaliar decisões antigas com o conhecimento atual seria injusto.
Os dados financeiros conhecidos da Sport TV ajudam a perceber porque é que as duas leituras divergem. Em 2024, a empresa somou 216,1 milhões de euros de faturação, um acréscimo de 9,3% face ao ano anterior. O lucro após impostos ficou nos 2,2 milhões de euros, valor positivo, mas em queda acentuada de 59,3% relativamente a 2023.
No entanto, uma mudança poderá estar próxima. O CEO da Vodafone indicou que o processo de concentração dos direitos desportivos deverá avançar em breve, através de um concurso do qual a Sport TV terá de participar. Essa reorganização poderá ainda obrigar a rever os acordos vigentes entre a Sport TV e as telecomunicações que distribuem o canal.
